Culto aos Orixás

Kawo Kabiesile Oba Efun Oloju Inon Inon Bara Onule (Nao olhe o Rei, a face do Leao e de fogo, como o fogareiro da casa.)

Airá o Redemoinho

Airá era um Orixá no fundamento de Xangô, Airá era considerado um de seus servos de confiança e segundo uma de suas lendas, Airá, tentou instaurar um atrito entre Oxalá e Xangô, graças a isso Airá deve ser tratado de forma diferente de Xangô e seu assentamento deve ficar com os de Oxalá. Por esse atrito com Xangô, não se deve coloca-los juntos, nem podendo Airá ser posto em cima do pilão de duas bocas já que o pilão de duas bocas pertence a Xangô o que acarretaria a sua ira. Sua cor é branco mas também o azul-marinho e seus ornamentos são prateados.
 
Airá é um Deus relacionado a família do raio mas também é relacionado ao vento, seu nome pode ser traduzido como Redemoinho, vale lembrar que o redemoinho é o fenômeno que mais se assemelha a um furacão em território Africano. Airá então deve ser louvado como a divindade que rege o encontro dos ventos.
Em território africano, não existem registros ou relatos de pessoas iniciadas para Ele. Seu culto é proveniente da região de Savé que faz parte do território Jejê, nesta região os cultos predominantes são os de Nanã, Obaluaiê, Omolu e Oxumarê. Pouco se sabe sobre o nascimento ou surgimento de Airá e por esta razão muitos atribuem sua filiação à Iemanjá e a Oraniã, assim como Xangô e Aganjú. Por este motivo alguns sacerdotes sem conhecimento chegam a afirmar que Airá seria irmão de Xangô, quando não há nada que fundamente esta afirmação.
 
No Brasil, Airá é visto, erroneamente, como uma qualidade de Xangô. Airá é visto como uma face mais amena e pacífica de Xangô. Hoje, com a falta de conhecimento, muitos zeladores preferem iniciar uma pessoas de Airá do que para Xangô, na realidade está cada vez mais difícil encontrarmos filhos de Xangô. Ao contrário de Xangô, Airá não é o Orixá rei nem possui o carácter punitivo e colérico. Esta característica mais amena de Airá, pode ser evidenciada em uma de suas cantigas que diz:
 
"A chuva de Airá apenas limpa e faz barulho, como um tambor".
 
 
Airá possui uma ligação muito grande com Oxalá, na verdade tudo o que for oferecido a Ele não deve conter sal e dendê. Suas comidas votivas não são temperadas com dendê e sim azeite de oliva ou banha de ori. 
Airá zela pela paz e pela justiça de forma incondicional, ao contrário de Oxalá que representa a paz, Airá a estabelece e possui uma ação muito mais direta em sua imposição, Airá pode ser qualificado como uma sentinela de Oxalá, ou melhor, de Oxalufã e seria Ele, Airá, quem estabelece sua vontade.
 

  
Não existem qualidades de Airá, o que muitos chamam de qualidades são apenas títulos como estes abaixo: 


Intilé - É um título de Airá, Intilé quer dizer Senhor da Terra.

Igbonã - É um título que significa  floresta de fogo, ou simplesmente quente.

Lojô - Título que faz referência à chuva.

 

Segundo um mito, criado no Brasil, Oxalá permaneceu injustamente preso durante sete anos no reino de seu filho, Xangô, sem que este soubesse do fato. Grandes calamidades ocorreram em todo o reino devido a essa injustiça e quando Xangô finalmente descobriu o que havia acontecido com o próprio pai, resgatou-o da prisão e ordenou que fossem organizadas grandes festas em todo o reino, em sua homenagem. No entanto, Oxalá estava muito entristecido. Apesar de toda a atenção que recebeu, a única coisa que desejava era retornar ao seu próprio reino, em Ifé, onde sua esposa Iemanjá o aguardava. Xangô não podia acompanhá-lo e pediu que Airá o fizesse em seu lugar, foi assim que Airá tornou-se companheiro de Oxalá. Durante o dia, eles caminhavam. À noite, Oxalá sentia frio e precisava descansar, assim, Airá passava longas horas contando-lhe histórias do povo de Oió ao redor de uma fogueira.

Observação: No Brasil, devido aos festejos de São João, criou-se uma tradição de se acender uma fogueira em homenajem a Xangô e a Airá. Na realidade esse ato não existe na África isso foi absorvido dos festejos de Juninos. A cerimônia que ocorre na África é o Ajerê de Xangô, cerimônia em que o iniciado de Xangô em Oió carrega um jarro com inúneros orifícios, dentro deste jarro é posto fogo e assim iniciado carrega o fardo ardente sobre sua cabeça. O oxé de Xangô é uma representação do ajerê, as lâminas duplas representam as chamas que se espalham.

 

  

Arquétipo - Airá - Os filhos de Airá, são autoritários, voluntariosos, enérgicos, calmos, teimosos, orgulhosos e guerreiros. Pessoas elegantes e corteses, risonhos, possuem um misto de severidade e benevolência, possuem um senso elevado de justiça, possuem consciência de sua importância, são dotados de bom coração, não sabem guardar segredos, faladores, fofoqueiros, apegados a família, sinceros, altivos e sensíveis. Não são vaidosos.

  

  

Orin de Airá

 

"Airá ojô mo pere se

A mo pere se

 

Airá ojô mo pere se

A mo pere se"

 "

Tradução


"A chuva de Airá apenas limpa e faz barulho como um tambor

Ela apenas limpa e faz barulho como um tambor


A chuva de Airá apenas limpa e faz barulho como um tambor

Ela apenas limpa e faz barulho como um tambor"

 

"Aira ó lê lê, a ire ó lê lê 

A ire ó lê lê, a ire ó lê lê"

 

"Airá está feliz, ele está sobre a casa

Estamos felizes, ele está sobre a casa"

 

"Aira ó, ore gédé pá

Ore gédé

Aira ó, ore gédé pá

Ore gédé 

Aira ó, Ajaosi pá

Aira ó, Ebora pá"

 

"Airá nos presenteie afastando os que podem nos matar

nos presenteie afastando os que podem nos matar

Airá nos presenteie afastando os que podem nos matar

nos presenteie afastando os que podem nos matar

Airá que luta na esquerda pode matar

Airá, Orixá pode matar"

 

  

Iemanjá

Embora sendo um Orixá feminino, Iemanjá possui o vigor de um homem e, nas Américas é a divindade das águas salgadas.

Este Orixá é natural de Abeokutá, na Nigéria, local onde seu culto prolifera com muita intensidade, mas seus principais seguidores são os naturais de Egbado localidade cuja rainha é Okoto, também conhecida como Osá. Seu principal templo está localizado em Ibará, bairro de Abeokutá e, embora seja cultuada no rio Ògùn, seus seguidores vão, anualmente, recolher água para lavar os seus axés, numa fonte de um afluente denominado rio Lakaxa.

Iemanjá seria tão velha quanto Obatalá e tão poderosa quanto ele. É filha de Olokum o Deus dos Oceanos, cujo reino são os oceanos. Teria sido casada com Orunmilá e depois com Olófin, de quem gerou dez filhos, cujos nomes enigmáticos fazem crer que sejam os outros Orixás.

Conta uma lenda que Iemanjá, cansada de viver em Ifé, seguiu em direção ao Oeste indo instalar-se no "por do sol". Inconformado com o abandono Olófin mandou seu exército à sua procura. Cercada pela tropa, Iemanjá, ao invés de se deixar prender, quebrou um frasco contendo um líquido mágico que lhe havia dado seu pai Olokun, o que fez com que surgisse ali mesmo. Um caudaloso rio, cujas águas a levaram até o oceano, local de residência de seu pai.

Por seu caráter intempestivo, Iemanjá perdeu a hegemonia do mundo terrestre assumindo, desde então, domínio sobre a orla marítima em cujo movimento hora calmo, hora agitado e revolto, tem representada a sua personalidade inconstante.

Seu nome em yoruba, Yéyé Omo E (Iyemonjá), significa : "Mãe de Filhos Inúmeros Como os Peixes", ou simplesmente "Mãe de Filhos Peixes", ressalta, sobremaneira, seu instinto maternal, uma vez que assume como filhos todos os seres humanos, independente de quais sejam os seus Olori.

 

Isto está exemplificado num Itan Ifá que descreve a forma como Iemanjá assume a maternidade de Omolú, filho legítimo de Nanã, desprezado pela própria mãe por ser portador de lepra.  

Iemanjá representa, portanto, o instinto maternal, assumindo, de muito boa vontade todos os seres humanos como filhos bastando, para tanto, que se recorra aos seus préstimos e que se solicite sua proteção.

Nas Américas, no entanto, onde seu culto é grandemente difundido, recebe oferendas nas águas do mar. Sua saudação mais comum é "Odo Iyá!" que significa "Mãe do Rio". Outras formas de saudá-la, utilizadas no Brasil são: "Erú Iyá!" e "Odo fé Iyagbá!" sendo que esta última saudação, muito utilizada nos ritos de Umbanda, significa: "Amada Senhora do Rio".

 

Aspectos Gerais

Dia: Sábado

Data: 02 de fevereiro
Metal: Prata e Prateados.
Pedra: Água marinha.
Cor: Branco, criatal, azul e rosa
Comida: Ebô de milho branco e camarão seco, manjar branco com leite de coco e açúcar, acaçá, peixe de água salgada, bolo de arroz e mamão.
Símbolo: Abebé prateado.
Elementos: águas doces que correm para o mar, águas do mar
Região da África: Egbà e Abeokunta
Pedras: cristal e água marinha
Folhas: pata-de-vaca, umbaúba, mentrasto
Odu que rege: Irossun e Ossá.

 

A saudação Odô Iá de Iemanjá pode ser traduzida como Mãe do rio, já Eru Iá pode ser traduzida como Mãe das Ondas.

  

Suas variações são:  

 

Iemanjá Assessu. Esta Iemanjá é a mensageira de Olokum. É sua filha predileta e seu poder total é obtido segundo um Itan no Odu Alafia, Assessu rompeu todos os vínculos que a uniam à terra e, por este motivo ficou desmemoriada.

Iemanjá Ogun Té. Esta é a mais guerreira de todas, vive com Ogun em campanhas de guerra.

Iemanjá Iá Masemalê ou Iamassê. Esta é a mãe mítica de XangôEsta Iemanjá é portadora de um grande mistério que está relacionado à sua ligação com a ancestralidade feminina Iami Osorongá. Ela é a Grande mãe do rio Massê.

Iemanjá Assabá . Esta Iemanjá não pode ser olhada nos olhos. Foi mulher de Orunmilá que a expulsou por haver teimado em usar seus instrumentos de adivinhação. É altiva e perigosa. Usa sempre uma corrente de prata no tornozelo.

Iemanjá Iemouo. Que teria sido mulher de Oxalá. Esta Iemanjá é a dona de todo os tesouros que se encontram dentro do mar.

Iemanjá Maieleuo. Esta Iemanjá  vive no meio do mar controlando as correntes marinhas. Seu nome significa; "A que se interessa pelo dinheiro e pelo comércio". Teria sido ela quem tingiu de azul as águas dos oceanos, contando, para isto, com a ajuda de Assessu. 

 

Arquétipo - Iemanjá - Os filhos de Iemanjá, são autoritários e persistentes, são preocupados, sensíveis, responsáveis, fortes, rigorosos e algumas vezes impetuosas e arrogantes. São amigos e protetores chegam a e se comportarem como super mães. São agressivos e até traiçoeiros, quando a segurança dos filhos e da família está em jogo. São faladores, não gostam da solidão. São vaidosos sem chegarem ao extremo da vaidade de Oxun, gostam do luxo, roupas e jóias caras, gostam de viver bem mesmo que as condições não permitam. Custam a perdoar uma ofensa e quando perdoam jamais esquecem e sempre jogam na cara.  


 

Orim de Iemanjá ( Cantigas de Iemanjá )

 

"Iemonjá auá abô aiô                                               

Iemonjá auá abô aiô."                                                    


Iemanjá  protege-nos e nos enche de satisfação.

Iemanjá , estamos protegidos, e nossa satisfação é completa.


"Iagbá odê irê xê

Aki é Iemanjá

Akoko pe ilê gbê a oiô

Odô ofi a xá ueré ô."

 

A velha mãe chegou fazendo-nos felizes, nos cumprimentamos Iemanjá.

A primeira que chamamos para abençoar nossa casa e dar satisfação.

Usar seu rio que escolhemos para nos banharmos,

O rio que escolhemos é o rio  que usas para seu banho.


"A xá uelé ô, odô ofi

A xá uelé ôa xá uelé ô."


Nós escolhemos nos banharmos, em nossa casa.

Ela  costuma escolher, banhar-se no seu rio.


"Iá korobá, korobá ni sabá

Iá korobá , korobá ni sabá."

 

Mãe que enfeita os cabelos dividindo-os, no meio da cabeça, ela tem o hábito de enfeitar os cabelos dividindo-os.

Mãe que enfeita os cabelos dividindo-os no meio da cabeça, ela tem o hábito de enfeitar os cabelos dividindo-os.

 

Oriki para Iemanjá ( Reza para Iemanjá )


"Igberi de Ogun Assabá

Ogun iakum elá essã

Olimo

Ogun iá kerê Onirô

Assessu

Ogun om iom de Aifô

Opeki de Ofiki

Ibu gba n'ianri

Alarô de Ibu

Olossun

Ogagá ieiê."

 

Tradução 


Ogum Assabá

Rio de Ogum em nove partes

Dono da folha de palma

Rio de Ogun, mãe pequena de Onirô

Assessu

Ogun Aifô Rio que tem peitos

Fluxo que leva areia

Fluxo índigo

Barcos fluem

Graciosa mãe Ogagá.

"Iemanjá atara magbá

Igbá ti gbé ibu omi

Iemanjá igbé di oju oná

Iemanjá ê njé oti pagogô oju akagbá

Um gbo ni xê obá ma kassê

Iemanjá um uô lu de iji de lobiá

Um pekorô i ilu ka

Auoiô, Iemanjá jé le jé lodô

Iá olô oiom orubá

Obô de abi ni Orum bi egbê issu

Onilaiê de Okum um bi de enia de sã

Olokum de arugbô

Fere obinrim aji fom ni lara obá

Obinrim pepê li gba eni gbé ilekilé

Ko je dahum ni ilê

Oju omi ni je ni korô

Eru iá. "

 

Tradução 


Rainha que vive nas profundidades da água

Iemanjá a toca os arbustos a caminho da superfície da Terra

Iemanjá se inclina na beira do Mar, enquanto toma um pouco de oti

Ela espera sentada, até mesmo na presença de um rei.

Iemanjá a suprema, quando em Terra é tornado que atravessa o país;

Ela muda a cidade

Auoiô, Iemanjá come na casa e come no rio

Mãe de peitos chorões

Ela cultivou uma moita no mercado

E está apertado como um inhame secado

Rainha ventre do mundo, ela cura como um remédio

Filha do poderoso Olokum, o soberano

Flauta-menina que toca para o despertar de reis

Mulher que suavemente aguenta o nadador para descansar em algum lugar

Ela não deseja responder em terra

Ela responde depressa na superfície da água

Mãe das ondas.

 

"Igbá Iemanjá

Iemanjá ô ô ô

Uá gbo egbe mi

Iuô ti nfum eniti n'uá omo ni omo

Jouô mopé ô, fum mi ni omo

So midi olorô

Iemanjá, ieiê auom ejá

Fi agbô re bomi

Ki Iku ati arum ma uolê

To miuá

Iami, jouô so ekum mi daiô

Axé Iemanjá."

 

Tradução 


Iemanjá eu te saúdo

Iemanjá ouça meu clamor

Você é quem dará filhos para quem quer

Por favor me dê filhos

Me torne próspero

Iemanjá, mãe dos peixes me proteja

Para que a morte e doenças não entre na minha casa

Minha mãe, favor torne os meus choros e sofrimentos em alegrias.

Axé Iemanjá.


Ofó de Iemanjá

 

"Olugbê rerê

Agbomo obinrin welewele

Omi aribu solá."

 

Tradução

 

Senhora que traz a bondade

Aquele que protege as mulheres durante o parto

Senhora das águas está em lugar de honra.

   

Oxalá

Oxalá é um nome genérico de vários Òrìxá funfun (branco), como são chamados diversos Orixás africanos no Brasil relacionados à cor branca e à criação do mundo.

Oxalufon, ou Orìsà Olúfón, segundo relato de Pierre Verger, na África é velho e sábio, cujo templo é em Ifon, na nigéria, Estado de Lagos, pouco distante de Oxogbô. Seu culto permanece ainda relativamente bem preservado nessa cidade tranquila, que se caracteriza pela presença de numerosos templos, igrejas católicas e protestantes e mesquitas que atraem, todas elas, aos domingos e sextas-feiras, grande número de fiéis de múltiplas formas de monoteísmos importados de outros países. Em contraste com essa afluência, o dia da semana iorubá consagrado a Orìsànlá só interessa atualmente a pouca gente. Exatamente um pequeno núcleo de seis sacerdotes, os Ìwèfà méfà (Aájè, Aáwa, Olpuwin, Gbògbò, Aláta e Ajíbódù) ligados ao culto de Orìsà Olúfón.

 

 

A cerimônia de saudações ao rei de dezesseis em dezesseis dias pelos Ìwèfà e pelos Olóyè chama a atenção pela calma, simplicidade e dignidade. O rei Olúfón espera sentado à porta do palácio reservada só para ele e que dá para o pátio. Ele está vestido com um pano e gorro brancos. Os Olóyè avançam, vestidos de tecido branco amarrado no ombro esquerdo, e seguram um grande cajado. Aproximam-se do rei, param diante dele, colocam o cajado no chão, tiram o gorro, ficam descalços, desatam o tecido amarram-no à cintura. Com o torso nu em sinal de respeito, ajoelham-se e prostram-se várias vezes, ritmando, com uma voz respeitosa, um pouco grave e abafada, uma série de votos de longa vida, de calma, felicidade, fecundidade para suas mulheres, de prosperidade e proteção contra os elementos adversos e contra as pessoas ruins. Tudo isso é expresso em uma linguagem enfeitada de provérbios e de fórmulas tradicionais. Em seguida os Olóyè e os Ìwèfà vão sentar-se de cada lado do rei, trocando saudações, cumprimentos e comentários sobre acontecimentos recentes que interessam à comunidade. A seguir, o rei manda servir-lhes alimentos, dos quais uma parte foi colocada diante do altar de Òsàlúfón, para uma refeição comunitária com o deus.

 

Oxalá encabeça a família dos orixás funfun, os orixás brancos, que usam o ẹfun (giz branco) para enfeitar o corpo, dos quais há 154, segundo Pierre Verger, que cita os seguintes:

 

Òrìşá Olufọn ajígúnà koari, “aquele que grita quando acorda”;
Òrìşá Ògiyán Ewúléèjìgbò, “Senhor de Ejigbô”;
Òrìşá Ọbaníjìta;
Òrìşá Àkirè ou Ìkirè, um valente guerreiro muito rico que transforma em surdo-mudo aquele que o negligencia;
Òrìşá Ẹtẹko Ọba Dugbe, outro guerreiro muito ligado a Òrìşànlá;
Òrìşá Aláşẹ ou Olúorogbo, que salvou o mundo fazendo chover num período de seca
Òrìşá Olójo;
Òrìşá Àrówú;
Òrìşá Oníkì;
Òrìşá Onírinjà;
Òrìşá Ajagẹmọ, para o qual, durante sua festa anual em Ẹdẹ, dança-se e representa-se com mímicas um combate entre ele e Olunwi, no qual este último sai vencedor e aprisiona seu adversário. Mas tarde Òrìşá Ajagẹmọ é libertado e volta triunfante para seu templo. Ulli Beier sugere que nesta representação poderia haver uma espécie de reconstituição da conquista do reino Igbô por Odùduà, da derrota de Orixalá no plano temporal e de sua vitória final no plano espiritual.
Òrìşá Jayé em Jayé;
Òrìşá Ròwu em Owu;
Òrìşá Ọlọbà em Obá;
Òrìşá Olúọfin em Iwọfin;
Òrìşáko em Oko;
Òrìşá Eguin em Owú.
 

 

A todos esses orixás funfun são feitas oferendas de alimentos brancos, como pasta de inhame, milho, caracóis e limo da costa. O vinho, o azeite de dendê e o sal são as principais interdições. As pessoas que lhes são consagradas devem sempre vestir-se de branco, usar colares da mesma cor e pulseiras de estanho, chumbo ou marfim. A rigor, deveriam ser os únicos a serem chamados orixás, sendo os outros designados pelos próprios nomes ou então, sob a denominação mais geral de ebora para os deuses masculinos. O termo imọlẹ abrangeria o conjunto dos deuses iorubás. O ritual de adoração de todos os orixás funfun é tão semelhante que, em alguns casos, é difícil saber se se trata de divindades distintas ou de nomes e manifestações diferentes de Oxalá.

Segundo a tradição, Òòsàálá desfruta de situação de Òrìsà máximo. Chama-se também Obàtálá, que significa "Rei Maior". Deus o teria criado antes de todos os outros e lhe teria dado o poder de auxiliar na criação dos seres humanos.

Enquanto Deus faria os corpos brutos,
Òòsàálá faria os olhos, os narizes, as orelhas e outras partes dos corpos. É também chamado de "Ate-re-re-kaiye, Olódùnmarè".
Os Yorùbás rezam para que Òòsàálá favoreça as mulheres grávidas e, para agradá-lo, entoam canções especialmente em sua honra:

"Eni s'oju s'emu (A pessoa que fez olho e nariz)
Òrìsà ni maa sin
(Òrìsà que vou cultuar)
Adani b'o ti ri
(Criou a pessoa como ela é)
Òrìsà ni maa sin
(Òrìsà que vou cultuar)
Eni ran mi w'aiye
(A pessoa que me mandou para o mundo)
Òrìsà ni maa sin
(Òrìsà que vou cultuar)

Òòsàálá
não gosta de azeite-de-dendê, osùn, e de qualquer coisa vermelha. Seus sacerdotes e cultuadores usam roupa branca no dia de sua festa. As cultuadoras também usam turbantes e contas brancas. O Òrìsà, aliás, exige, tradicionalmente, não apenas alvuira na vestimenta mas também retidão nas pessoas.

A comida típica do Òrìsà é o pirão de inhame (isu) e molho feito de uma substância chamada Banha de Orí e caracol (Ìgbín) branco.

Coloca-se diariamente àgua de nascente em seu santuário, pintado com efun. A portadora da àgua deve necessáriamente ser uma moça virgem ou uma senhora que já não mantém mais relações sexuais. Ao trazer a àgua, a portadora vem tocando agogô, a fim de alertar a população da sua chegada. Durante o percurso ela não pode falar e ninguém deve lhe dirigir a palavra.

    

Aspectos Gerais

Dia: Sexta-feira

Data: 15 de janeiro
Metal: Todos os metais brancos.
Pedras: Cristal, quartzo, diamante, segi
Cor: Branco leitoso e prata
Comida: Inhame pilado
Símbolos: espada, mão-de-pilão, varas de atorí, ofá
Elementos: ar, atmosfra
Região da África: Ejigbó
Folhas: Levante e arruda
Odú que rege: Ejionilé
Domínior: lutas diárias (pelo sustento, trabalho), paz, alimentação
Saudação: Epa Bàbá!

 

A saudação Epa da saudação de Oxalá, assim como na de Oyá, é uma expressão de espanto ou respeito. E então pode ser traduzido como Pai eu te respeito.

 

Orins:

 

Oxalá

 

O – E jí yá wá wá o! Bàbá ìsòrò : desperta pai da expressão
D – E jí wáiyé Bàbá’rúnmalè e jí wá : desperta e venha ao mundo, desperta e venha
O – Elú’ wà pè kó o Bàbá : senhor da existencia, você sabe e ensina, você é o pai
D – Elú’ wà pè kó Erúnmalè : senhor da existencia, chama e ensina, espirito de luz
O – Elú’ wà pè kó omo jà : senhor da existencia, chama e escuta, teus filhos lhe chamam
D – Elú wà pè kó Erúnmalè: senhor da existencia, chama e ensina, espirito de luz

 

- Oxalufã

 

Ele é muito velho, idade avançada, aleijado, lento. Move-se com muita dificuldade, associa-se a idéia de repouso, de imobilidade, dança curvado e apoiado no Opáxoro, treme de frio e de velhice. Detesta violência, disputas e brigas, evita tudo que é excitante, come sem sal e sem dendê, odeia côres fortes e particularmente o vermelho. A ele pertencem os metais e substâncias brancas como a prata; no reino vegetal o algodão; no animal o caracol, d'angola, martim pescador e o preá. Tem ódio do cavalo, pois, por causa deste animal que ficou preso por sete anos e muito sofreu.

Arquétipo - Oxalufã - Os filhos do Orixá Oxalufã, são pessoas extremamente calmas e dignas de confiança, geralmente são muito inteligentes e dotados de grande sabedoria,. Possuem tendência a serem preguiçosos, não gostam muito de trabalho, principalmente quando envolve esforço físico. Porém buscam lugares onde possam colocar em prática as suas idéias e projetos, extremamente responsáveis e pacientes. Seus principais defeitos são a teimosia, preguiça e lentidão.


- Oxaguiã

Filho de Oxalufon, é jovem,guerreiro e não perde uma oportunidade de lutar contra Omolú e xangô. É o único que tem autorização de enfeitar seus colares brancos com as pedras azuis, chamadas de seguy, e suas roupas brancas podem,ás vezes, levar uma franja vermelha. Está ligado ao culto de Yroko e dos espíritos, assim como a fertilidade e ao culto dos inhames. È pai de Oxossi Inlé, come com Ogun já, Oxossi Inlé, Ayrá, Exú, Oyá e Onira. Tem fundamento com Oyá. Vem pelos caminhos de Onira. Tem ligação com Exú. Seus filhos devem evitar brigas, confusões e mentiras, principalmente não devem enganar a Ogún ou a seus filhos, pois será castigado sem dó. Não devem comer ovo frito para não esquentar o Orixá, cachaça, sal e dendê. É um Orixá muito perigoso.
 

Arquétipo - Oxaguiã - Os filhos do Orixá Oxaguiã, são ativos, alegres, trabalhadores, orgulhosos e calmos. São incansáveis em seus projetos, também possuem tendência ao estresse por se darem demais as suas funções. Geralmente são responsáveis, teimosos, individualistas, dotados de grande força de vontade. Em nenhuma circunstância modificam seus planos, mas sabem aceitar sem reclamar os resultados amargos decorrentes de sua teimosia.

 
 
Ofo Obatalá
 
Ake-bi-alá
Alabalese
Oluorogbô
Oluwô-igbô
Obanlá
 
Tradução
 
Aquele que traz a luz
Senhor que conhece o destino
Senhor da verdade
Aquele que conhece os segredos
Grande Rei.
 
 
Oríkì à Osàlà


Obanla o rin n'eru ojikutu s'eru. Obà n'ille Ifon alabalase oba patapata n'ille iranje. O yo kelekele o ta mi l'ore. O gba a giri l'owo osika. O fi l'emi asoto l'owo. Oba igbo oluwaiye re e o ke bi owu la. O yi ala. Osun l'ala o fi koko ala rumo. Obà igbo.


Tradução


Rei das roupas brancas que nunca teme a aproximação da morte. Pai do Paraíso eterno dirigente das gerações. Gentilmente alivia o fardo de meus amigos. Dê-me o poder de manifestar a abundância. Revela o mistério da abundância. Pai do bosque sagrado, dono de todas as benções que aumentam minha sabedoria. Eu me faço como as Roupas Brancas. Protetor das roupas brancas eu o saúdo. Pai do Bosque Sagrado.


Oríkì à Osàlà


Kí Òrìsà-nlá Olú àtélesé, a gbénon dídùn là. Ní Ibodè Yìí, Kò Sí Òsán, Bèéni Kò Sí Òru. Kò Sí Òtútù, Bèéni Kò Sí Ooru. Ohun Àsírií Kan Kò Sí Ní Ibodè Yìí. Ohun Gbogbo Dúró Kedere Nínu Ìmólè Olóòrun. Àyànmó Kò Gbó Oògùn. Àkúnlèyàn Òun Ní Àdáyébá. Àdáyébá Ni Àdáyé Se.


Tradução


Que o Grande Òrìsà, Senhor da sola dos pés, guie-nos aos benefícios da riqueza! Aqui é a porta do Céu, nela pode-se entrar de dia e de noite. Nela não há frio, e também não há calor. Aqui, na porta do Céu, nada é segredo. E nela todas as coisas permanecerão claras diante da luz de Deus. Que o destino não nos faça usar remédios. Que as pessoas adorem de joelhos as coisas do Céu, para encontrar coisas boas na Terra. Que as coisas boas sejam sempre encontradas na Terra.

 

Oríkì fún Òòsààlà

Obanla o rin n'eru ojikutu s'eru. Obà n'ille Ifon alabalase oba patapata n'ille iranje. O yo kelekele o ta mi l'ore. O gba a giri l'owo osika. O fi l'emi asoto l'owo. Oba igbo oluwaiye re e o ke bi owu la. O yi ala. Osun l'ala o fi koko ala rumo. Obà igbo.

Kí Òrìsà-nlá Olú àtélesé, a gbénon dídùn là. Ní Ibodè Yìí, Kò Sí Òsán, Bèéni Kò Sí Òru. Kò Sí Òtútù, Bèéni Kò Sí Ooru. Ohun Àsírií Kan Kò Sí Ní Ibodè Yìí. Ohun Gbogbo Dúró Kedere Nínu Ìmólè Olóòrun. Àyànmó Kò Gbó Oògùn. Àkúnlèyàn Òun Ní Àdáyébá. Àdáyébá Ni Àdáyé Se.





Oríkì para Òòsààlà

Rei das roupas brancas que nunca teme a aproximação da morte. Pai do Paraíso eterno dirigente das gerações. Gentilmente alivia o fardo de meus amigos. Dê-me o poder de manifestar a abundância. Revela o mistério da abundância. Pai do bosque sagrado, dono de todas as benções que aumentam minha sabedoria. Eu me faço como as Roupas Brancas. Protetor das roupas brancas eu o saúdo. Pai do Bosque Sagrado.

Que o Grande Òrìsà, Senhor da sola dos pés, guie-nos aos benefícios da riqueza! Aqui é a porta do Céu, nela pode-se entrar de dia e de noite. Nela não há frio, e também não há calor. Aqui, na porta do Céu, nada é segredo. E nela todas as coisas permanecerão claras diante da luz de Deus. Que o destino não nos faça usar remédios. Que as pessoas adorem de joelhos as coisas do Céu, para encontrar coisas boas na Terra. Que as coisas boas sejam sempre encontradas na Terra.


Orin Oxalá


Èyin  rí  àwa

ìgbàgbó  wa  okòn

Èyin  rí  àwa  , ìgbàgbó  wa  okòn

Ètùtù  sé  ipadé  siré

Kò  rú  lé, kò  rú  lé,

Bàbá  Ifá

E  sìn  sé  ipàde  siré

Kò  rú  lé, kò  rú  lé,

Bàbá  Ifá


Vós vedes a nós e a crença em nossos corações.

Vós vedes a nós e a crença em nossos corações.

Façais com que haja concórdia em nossa reunião

de xirê ( dançar e brincar para  orixás )

Que não causeis confusão na casa,

Pai Ifá.

Vos cultuaremos em nossas reunião de xirê,

não causeis confusão em nossa casa,

Pai Ifá.


Àjàlá  mo  rí  mo  rí  mo  yo

Álá  forí  kòn

E  àgó  fi rí  mi


Ajalá fez o meu ori ( minha cabeça ),

me germinou e fez crescer,alá que segura

e mantém a minha cabeça.


Bée  orí  kò  kíì  Àjàlá

Bàbá  òkè  kí  a  mò  rè

Kíì  Àjàlá  bée  orí  kò


Assim não há ori ( cabeça ) que não saúde Ajalá.

O Pai que está no topo,  nós o conhecemos e saudamos.

Ajalá , não há ori que não o faça.


Ojó  mò  tyìn  odó  aláyé  ojó

Ojó  bí  walé  ojó

Ojó  mò  tyìn  odó  aláyé  ojó

A  bo  wa  Bàbá  ó


Chefe do dia que entende o dia

e tem pilão.

O que nasce em nossa casa,

vamos cultuar o nosso pai.

 

ISURE ÒRÌSÀNLA



IBA ÒRÌSÀ-NLÁ OSEREMAGBO

ÒRÌSÀ-NLA, ÒRÌSÀ-NIA, OBA PATAPATA

TU BA WON GBE NI ODE IRANJE,

ÒRÌSÀ-NLA, OGIRIGBANIGBO, ALAYE TI WON

OBOMO-BORO-KALE,

AYINMO-NIKIE, ADA-WON-LARO,

ÒRÌSÀ-NLA, ÒRÌSÀ-NLA,

ÒRÌSÀ ALASE,

IGAN BABA OYIN,

ORERE YELU AGAN WO,

ATU-WON-JÁ-NIBITI-WON-LARO

JAGUNJAGUN, OFIWA-IJA-WODO,

O JAGUNJAGUN FIGBON WODO,

ABOJU-BONIGBESE-LERU,

ABISOKOTO-GBOSU-MEFA-NILE ALARO,

ARO-GBAJAGBAJA-KO-LONA,

ABUDI OLUKANBE,

ÒRÌSÀ-NLA JOKO GBA MI,

ÒRÌSÀ-NLA ENI A NI NI GBA NI, EMI KO MO NKAN,

ÒRÌSÀN-LA, JOWO SO MI DI ENI IYI,

ÒRÌSÀ-NLA, MA FI OWO PON MI,

ÒRÌSÀ-NLA, NA FI OMO PON MI LOJU,

JOWO MA FI AISAN SE MI.

MAA FI OWO PON MI LOJU,

ÒRÌSÀ-NLA, MA FI IRE GBOGBO PON MI LOJU,

GBO IGBE MI.

ÀSE TI ELEDUNMARE.

ELEDUNMARE ÀSE.



Oxalá eu te saúdo




Oxalá, Oxalá, um rei feroz aos; Òrìsàs, Oxalá que mora com os outros na cidade de Ode Iranje,

Oxalá, o maior e que tem o mundo e todos universos sob Ele,

Senhor que tira pele das pessoas,

Senhor que criou as pessoas corcundas e os paralíticos,

Oxalá, Oxalá, Òrìsà com autoridade,

Você é precioso como mel puro,

Òrìsà que dá filhos aos que não tem,

Senhor dispersa as pessoas onde eles estão tramando as maldades,

O senhor dócil,

Pessoa que quebra os braços das pessoas e cria os paralíticos,

Òrìsà Ogiyan, um guerreiro de respeito.

Você que brigou na guerra e entrou no rio para lançar os bastões nos inimigos,

Você que é Deus com a força inesgotável,

Você que arrasta seus inimigos com a corda para dentro do rio,

Você que seu rosto aterroriza um devedor,

Pessoa que é o maciço como um elefante,

Oxalá, pôr favor me salva,

Oxalá, pois não sei como eu posso me salvar,

Oxalá, por favor me faz um ser honrado,

Oxalá, não me faça sofrer com dinheiro,

Oxalá, não me faça sofrer com filhos,

Favor, não me faça sofrer com doenças,

Não me faça sofrer com a prosperidade,

Oxalá, não me faça sofrer com todas as coisas boas,

Ouça meu clamor.

Axé do Senhor Supremo.