Culto aos Orixás

Kawo Kabiesile Oba Efun Oloju Inon Inon Bara Onule (Nao olhe o Rei, a face do Leao e de fogo, como o fogareiro da casa.)

Exu o imenso Infinito

É um Orixá indispensável dentro do culto, sem ele não existe Orixá, pois é ele que serve de mensageiro entre os Deuses e os seres humanos. Exu é o guardião das casas, dos templos das cidades e das pessoas. Toda vez, que for fazer algo a algum Orixá deve ser feito primeiro oferendas à Exu. Ele pode ser considerado o mais humano dos Orixás,  nem mau, nem bom. Exu foi criado da mesma matéria divina da qual os seres humanos foram criados. Como Orixá, diz-se que ele veio ao mundo com um porrete chamado Ogó, que  teria a propriedade de transporta-lo, ele representa também toda a fertilidade que é consagrada a ele. Mensageiro dos homens aos Orixás. Elemento dinâmico, caminha entre o Céu ( Orum ) e a Terra ( Aiê ), sempre levando mensagens dos filhos aos orixás. Exu é único, e como único tem o poder de transformar tudo a sua volta. Exu está a frente da evolução do mundo, participando de tudo ao seu redor. Todo ser humano possui seu Exu individual, como tem seu Orixá. Exu é responsável pela comunicação, pela evolução, pois está associado  a atividade sexual, que assegura  a continuidade da espécie humana. Como é ligado a evolução, também é ligado ao destino das pessoas, e com isso pode circular livremente entre todos os elementos da terra. Ele também representa o feminino e o masculino. Exu, por ser o senhor dos caminhos, pela responsabilidade que ele tem, é o primeiro a ser cultuado em qualquer ritual. Somente ele tem o poder de abrir ou fechar os caminhos, conforme for tratado. Tanto pode trazer coisas boas, como má, pelo fato de estar sempre no caminho. A presença de Exu é necessária, pois somente ele transporta as oferendas e somente ele pode fazer aceita-las ou não. Se não agraciado no início de qualquer ritual, pode haver um desequilibro, o que faria que ele fechasse os caminhos e liberasse forças negativas para castigar quem não o tratou direito, pois ele pode punir ou proteger. Mas bem tratado, ele somente semeia o bem, fertilidade, saúde, harmonia. Seu local consagrado para adoração é a encruzilhada (orita), aonde todos os caminhos se cruzam, para poder observar e a partir daí, controlar todos os caminhos. A rosa dos ventos o representa pois ela representa todas as direções do mundo. Diz-se que Exu nasceu com uma lamina sobre a cabeça. Isso por sinal, é dito em uma de suas saudações;

 

"Sonsô obé ko lori eru" ( A lâmina é afiada, ele não tem cabeça para carregar fardo)

Exú é considerado a terceira cabaça da existência, muito embora ele seja considerado como o primeiro Orixá a pisar na Terra, Oxalá é a primeira cabaça da existência e Oduduá é a segunda cabaça.

Exu é um Orixá de grande importância entre os Iorubás. Por ser muito corajoso e esperto, é considerado maior do que os outros Orixá, e nunca é esquecido por seus cultuadores que, a fim de aplacar sua ira, fazem-lhe as oferendas de alimentos sempre em primeiro lugar. Pode ser maldoso a qualquer momento, sendo por isso chamado de Buruku (qualificação maligna).

  

É comum oferecer a Exu, entre outros, bodes (Òbúko), azeite-de-dendê (Epò Púpà), galos (Àkùko), caracóis (Ìgbín), acaçá e Obí. Sobre sua imagem (Ère) colocam-se azeite-de-dendê (Epò Púpà) e sangue de animal ( Èjè), simbolizando seu banho por essas substâncias. Èsù é inimigo de alguns Òrìsà. A fim de incitá-lo à maldade contra alguém, coloca-se sobre sua imagem (Ère) um óleo denominado adí e um bilhete contendo o nome da pessoa contra quem se pratica o feitiço. Pessoas pedem também fecundidade a esse Orixá. Conseguindo-a, dão a seus filhos nomes que incluem o de Exu, tais como Exu-Tossim (É bom cultuar Exu), Exu-Bií (Nascido de Exu) etc. Exu possui também outros nomes, como Elegbara, Elegbá, Legbá. Os Iorubá acreditam que ele sempre carrega um objeto chamado Agongo Ogo, com o qual realiza suas maldades. A imagem de Exu é feita de um conjunto de pedras (Iangui). Fazem-lhe sacrifícios para mantê-lo em frente de casa, mas sua imagem jamais é mantida no interior do lar, sob pena de amaldiçoar a família. 

 

As cidades onde se cultua Exu são: Ondo, Ilesa, Ijebu, Abeokuta e Ekiti. Há cem anos atrás costumava-se sacrificar seres humanos em homenagem a Exu, pratica hoje abandonada.

 

Reza para Exu

Este ADURA é para pedir proteção a Exu e abrir nossos caminhos. Este Adurá é tão simples e lógico que é bom memorizá-la e fazer dela nossa oração diária, bastando para isso rezá-la mastigando pimenta da costa 9 (nove) se for homem e 7 (sete) se for mulher. Faça esta oração e depois cuspa para frente a pimenta mastigada na boca.

 

"Exu Oni bodê Orum

Oxeturá eni omo iá eni o mo babá

Ti Adi toju bi omo Elegbara iuô la pe loni uá loni i bi omo ti njé

Iá re uara nitori rogbô diã ilê aiê po jojô ogum ni uá

Ogum lehim ilê aiê ogum ojô jumo ogum

Ati iê to mu olomo ki o ma mo omo re to mu ore di otá arauom

To mu eni du ipo omo lakeji to jeki a fé oju mo nkã eni

Auá bebê fum abó re Exu Lalu uá gbô orô ati laroiê

Uá so uá babá njadê lo so uá ti a pá padá uá le uá ki ogum

Aiê ma le riuá gbe se Exu olo na onã ti Exu ba si enikã ki di uá si onã fun

Uá eniti Exu ba si onarê lo segum aiê se uani olussegum ki otá

Ma leri na gbe se eni onã re ba si pereguedê loni alafia babá orô Exu Odara da abó re bouá loni

Axé axé axé."

 

Tradução 

 

Exu guardião do Orum

Oxeturá, aquele que não conhece sua mãe, aquele que não conhece seu pai

Mas que recebeu todo  cuidado de Adi, O dinâmico. É você que estamos chamando, venha nos atender hoje assim que o filho atende sua mãe

As intrigas deste mundo estão demais

A guerra está na frente, a guerra está atrás de nós

O  mundo é uma guerra diária A guerra de sobrevivência

Que fez os pais desconhecerem seus filhos Que fez os amigos virarem   inimigos Que fez pessoas tomarem o lugar dos outros

Que fez com que colocassem olho grande em nossas coisas Nós estamos pedindo a sua proteção Exu, o ouvidor, Venha ouvir nossas palavras e reivindicações

Proteja-nos ao sairmos de casa Proteja-nos ao voltarmos para casa, que a guerra deste mundo não consiga nos vencer Exu o dono dos caminhos

O caminho que Exu abre ninguém é capaz de fechar, venha abrir nossos caminhos

Aquele a quem Exu abrir os caminhos será o vencedor na guerra da vida Faça de nós vencedores Que o inimigo não consiga nos vencer

Aquele que tem seus caminhos abertos Terá saúde, o pai de todas as riquezas Exu o  imprevisto venha a nos proteger hoje com todas as forças axé.

 

 

Os 16 Títulos mais conhecidos de Exu

Exu Iangui - O Senhor da Pedra Vermelha “Laterita”

Exu Agbá - O Grande Senhor dos Ancestrais

Exu Igbá Ketá Igba - A Terceira Cabaça

Exu Okotô - O Senhor do Caracol

Exu Obá Babá Exu - O Rei e Pai de todos os Exus

Exu Odara - O Senhor Dos Bons Pedidos, da Felicidade

Exu Ojisé - O Mensageiro dos Orixás

Exu Eleru - O Senhor das Obrigações e Rituais

Exu Enu Gbarijo - O Senhor da Boca Coletiva

Exu Elegbara - O Senhor do Poder Mágico

Exu Bara - O Senhor do Corpo

Exu Onã - O Senhor dos Caminhos

Exu Olobé - O Senhor da Faca

Exu Elegbó - O Senhor dos Ebos e Oferendas

Exu Alafia - O Senhor da Satisfação Pessoal

Exu Odussô - O Vigia dos Odus

 


Aspectos Gerais


DIA: Segunda-feira. 
DATA: Todos os dias são de Exu.
METAL: Não tem, sua matéria é a terra em seu estado de pureza.
CORES: Preto (ou seja, a fusão das cores primárias) e vermelho.
COMIDAS: Farofa de azeite-de-dendê, ekó (acaçá), carne mal passada.
SÍMBOLOS: Ogó de forma fálica, falo ereto.
ELEMENTOS: Terra e fogo.
REGIÃO DA ÁFRICA: Exu é universal.
PEDRAS: Rubi e Granada.
FOLHAS: Folha de fogo, coração-de-negro,aroeira vermelha, figueira brava, bredo, urtiga.
ODU QUE REGE: Okarã e Ouarím.
DOMÍNIOS: Sexo, magia, união, poder e transformação.
SAUDAÇÃO: Laroié!
 

A saudação de Exu, Laroiê pode ser traduzida como Pessoa muito falante. Então ao dizermos Laroiê Exú estamos dizendo Exu o falante.

 

Arquétipo - Exu - Os filhos de Exu possuem uma personalidade imprevisível, impulsivos, misteriosos, provocadores, intrigantes, desconfiados, são inteligentes, compreensivos com os problemas dos outros e bons conselheiros. Não aceitam derrotas, são melindrosos, impacientes, por vezes agressivos, de temperamento difícil, muito vingativos sempre dão o troco. Possuem muita tendência à espiritualidade e mão de feitiço.  

 

Oriki de Exu

 

"Eke a pá eleké

Odalê a pá Odalê

Oun ti a ba se nisalé ilé

Oju Olodumare ni to

Difa fun Amokum se alê

To ni oba aye ko ri oun

Bi oba aye ko ri o nko

 

Oju Olodumare n'uo ô."

 

Tradução

 


Mentira matará o mentiroso

 

Traição matará o traidor

Tudo o que você faz em um lugar escondido

Todo poderoso Olodumare está observando

Estas sãos as declarações de Ifá para

Ele é quem usa a roupa da escuridão para roubar

E ele diz que ninguém toma conhecimento

Se os reis mundialmente não o vissem

Todo poderoso Olodumare está olhando para você.
 
 

 

"Exu otá Orixá
Oxeturá ni orukó babá mó ô
Alagogô ijá ni orukó iá mpé ê
Exu Odara, omokunrim Idolofim
O lê sonsô si ori essé elessé
Ko jé, ko jé ki eni njé gbe mi
A ki louô lai mu ti Exu kuró
A ki laió lai mu ti Exu kuró
A sã tum se ossi laini itiju
Exu apatá somo olomo lenu
O fi okutá dipó ió
Loguemo Orum, a nlá kalu
Pa apa uara, a tuka massê sá
Exu massê mi, omo elomirã ni o se."
 
Tradução
 
Exu, o que questiona os Orixás
Oxeturá é o nome pelo qual você é chamado por seu pai
Alagogô Ijá é o nome pelo qual você é chamado por sua mãe
Exu Odara, o homem forte de Idolofim
Exu, que senta no pé dos outros.
Que não come e não permite a quem está comendo que engula o alimento
Quem tem dinheiro, reserva para Exú a sua parte
Quem tem felicidade, reserva para Exú a sua parte
Exu, que joga nos dois times sem constrangimento
Exu, que faz uma pessoa falar coisas que não deseja
Exu, que usa pedra em vez de sal
Exu, o indulgente filho de Deus, cuja grandeza se manifesta em toda parte
Exu, apressado, inesperado, que quebra em fragmentos que não se poderá juntar novamente,
Exu, não me manipule, manipule outra pessoa.


"Igbá Exu Lalu
Exu ogá onilu
Atobajaiê, elessó ogum
Orili logum
Alagadá eié
Orokô ni ojô ebô lè
Exu tabirigbongbom
Abonijauá kumo
Exu olafé, asseni bani darô
Exu iuô lo xe babalaô
Ojô metadinlogum lo gbe odô Oiá
Exu ma se mi omo elemirã ni o xe
Exu ma se mi lu enia ma se enia lumi
Ma jeki a rijá re
Iuô lo se iauô, ti fi ko okô re silê
Exu ma se mi, omo elomirã ni o se
Iuô lo se enia to fi binu soku
Iuô lo se enia to di ko sodó
Exu ma se mi, omo elomirã ni o se
Ibukum pupo ni emi fé lodô re
Eu iuô ni ilerá
Abô, egbegá, irê orô bem louô re
Jouô ki ouá fum mi ni nkã uoni
Exu Elegbara, gbo mi kiakiá
Exu ma se mi, omo elomirã ni ki o se
Axé."
 
 
Tradução 
 
 
Exu eu te saúdo. 
Exu homem forte na cidade, pessoa suficiente para ficar no lado em toda a vida.
Pessoa que tem frutas medicinais.
Você que monta cavalo de banheiro para entrar no quarto, você que tem medicina forte.
Você é uma pessoa que vai embora quando o sacrifício ficou estragado.
Você que acha um bastão para aquele que briga.
Exu, o apitador que dá danos na gente, ainda simpatiza conosco.
Exu, você quem provocou Babalaô e fez ele ficar na casa de Oiá por dezessete dias.
Exu, não me faça mal no filho do outro.
Exu, não me provoca contra qualquer pessoa e não provoca as pessoas contra mim.
Exu, para nada acontecer para os meus filhos.
Exu, para nada acontecer para minha família.
Não deixa ver a sua raiva, você quem provocou o rei para sair do trono.
Você quem provocou a esposa a deixar seu marido.
Exu não faça mal, faça mal no filho do outro.
Eu quero prosperidade de você, Exu, você que é o dono de saúde, proteção,
Promoção, bondade e prosperidade, por favor, me dê tudo isto.
Exu Elegbara (Senhor do poder), me ouve depressa, Exu, não me faça mal, faz mal nos filhos dos outros.
Axé.
 

 

Ancestralidade

A ancestralidade é algo muito complexo dentro da cultura dos povos africanos. A ancestralidade masculina e feminina são cultuadas separadamente, o culto ao ancestral masculino, hoje, é cultuado de duas formas, Aglutinada, como uma divindade que a personifica através do Culto de Orô e de uma forma individualizada, por intermédio do Culto de Egungun. A ancestralidade feminina é cultuada, hoje, de apenas uma forma, por intermédio do Culto de Iyámi, o culto individualizado da ancestralidade feminina era realizado pelo Culto de Elekô, cuja a grande matriarca era a Orixá Obá, esse culto se perdeu quase que por completo, tal fato ocorreu porque o culto representava um sério perigo ao poder dos homens. Aqui pretendo explicar superficialmente um pouco sobre cada uma das sabedorias.
 

A Morte

Indubitavelmente um dos maiores descobrimentos do Século XX foi a estrutura de dupla hélice do DNA – a chamada base de construção da vida. A beleza e elegância dos dois fios do DNA trançados em espiral um em torno do outro apresenta um maravilhoso símbolo do desenvolvimento da vida, não somente da construção de formas biológicas, mas também a evolução daquilo que existe como causa primária, a consciência. Porque se adicionarmos o empuxo da evolução ao ritmo dos ciclos da natureza, o círculo da vida é transformado numa contínua espiral rotatória através da qual a consciência se expressa.

Aprofundando mais neste símbolo, se os dois fios espiralados forem entendidos como entrelaçando espírito e matéria, a consciência pode ser vista como o efeito resultante da evolução desta interação. Temos aqui uma estimulante perspectiva sobre o nobre caminho do meio ensinado pelo Buda, o desafio de trilhar o caminho de maneira eqüidistante entre estes pares de opostos – as duas grandes linhas de força – tal como se expressam em qualquer nível, contrabalançando e relacionando-os entre si numa expressão harmoniosa. Assim como o Buda, o Cristo e outros grandes guias espirituais, também cada unidade de consciência evolui através deste grande processo espiral – a soma total da manifestação planetária avançando lentamente numa viagem de redenção espiritual.

Esta evolução super abrangente requer o constante desprender de formas e a aquisição de novas, à medida que novas combinações de matéria e espírito proporcionem veículos mais refinados para expressar o desenvolvimento da consciência. Quando a potência de uma forma está exaurida e não é mais adequada, a forma é descartada e uma mais apropriada é adquirida. Este é o princípio fundamental por trás do processo de morte e renascimento em todos níveis da natureza. Onde exatamente esta espiral leva ou termina ninguém na realidade sabe; tudo que pode ser dito é que o próximo passo está sempre mais à frente, lentamente percebido na medida que somos impulsionados para frente pelo poder da própria vida.

Desafortunadamente a sociedade secular tem, de maneira progressiva, se isolado do processo cíclico de vida e morte que caracteriza nossa ascensão na espiral. Sempre em busca de novas sensações, nosso irrefreável séqüito de materialismo tem resultado numa identificação muito forte com nosso corpo, nos enredado nos seus sentidos e conseqüentemente perdido o contato com nossa natureza interior. O propósito dos sentidos é informar, não aprisionar, e somente nos desembaraçando deles e interiorizando a nossa linha de investigação, podemos ter esperança de recuperar alguma verdadeira compreensão da natureza da morte. Temos que despertar os sentidos esotéricos interiores e seguir a sua orientação a fim de contatar o núcleo imortal do nosso ser que permanece inabalável e sereno durante os longos ciclos de vida, morte e renascimento. Então podemos conhecer em primeira mão a entrada numa vida mais grandiosa – o formoso segredo que encobre o processo da morte.

Somente pela compreensão da vida após a morte como uma extensão da vida, é que a morte pode ser entendida como simplesmente uma transição – uma relocação da consciência de uma área da divina espiral a outra. Neste sentido morte é simplesmente a libertação da limitação, da qual temos uma experiência parcial todas as noites durante as horas de sono. Morte e sono são fundamentalmente o mesmo, sem diferença, exceto em grau; ... sono é uma morte imperfeita e morte é um sono perfeito. Esta é a principal questão em todo ensinamento sobre a morte... Morte não é o oposto de Vida, mas atualmente é um dos modos de viver – uma modificação de consciência, uma mudança de uma fase da vida a outra pela subserviência ao carma, ao destino... Nossos corpos estão em constante estado de mudança, seus átomos estão num processo contínuo de renovação... Mesmo enquanto encarnados estamos vivendo no meio de incontáveis mortes diminutas.

Morte é, na realidade, deterioração no tempo e espaço e se deve à tendência do espírito-matéria a se isolar, enquanto em manifestação. Este enunciado reflete todo o processo da jornada da Vida – (involução) entrada na forma e num estado de consciência cada vez mais individualista e separado, e então (evolução) de volta à unidade levando conosco os frutos da nossa experiência como agregado de aprimoramento e qualidade. Quando reconhecemos este ciclo podemos, deliberadamente, nos alinhar com a onda evolucionária e superar esta tendência de isolamento do espírito-matéria. Focalizando na alma, o ponto de relacionamento de consciência intermediário entre ambos, nossa visão expandida revela a grande verdade dos ensinamentos da Sabedoria Antiga que mente-corpo-alma são a Trindade sintetizada pela Vida que permeia tudo. Então, morte é entendida como parte do processo da vida, a grande força de liberação que re-focaliza firmemente a consciência em pontos mais altos da espiral entre os pólos do espírito e matéria.

O medo e o horror da morte podem então desaparecer à medida que a consciência de orientação espiritual, a alma, tornar-se realmente conhecida em nossa percepção. O medo é o resultado da identificação com a natureza temporária da forma – nossa própria forma que dá origem ao senso de personalidade, as formas e personalidades daqueles que amamos, e as formas familiares do nosso entorno e meio ambiente. Entretanto, o amor que é da alma opõe-se a esse apego, e a esperança do futuro e nossa libertação das limitações do passado está nesta substituição de ênfase para a transcendência da alma. À medida que avançamos para esse momento quando o aspecto encarnado da alma puder viver conscientemente, construtiva e divinamente em veículos materiais em evolução, o sofrimento, a solidão e a sensação de perda pela morte desaparecerão regularmente. Então, consideraremos a forma simplesmente como uma faceta temporária de oportunidade divina, a personalidade como uma máscara temporária da alma, e conheceremos um novo e mais alegre enfoque da grande experiência que chamamos morte. A morte será entendida como parte da jornada espiritual – a alma levando repetidamente de volta à realidade um fragmento de si mesma para aprender, servir e enriquecer a sua experiência e então, através da morte assimilar os resultados dos seus esforços para promover progresso na espiral do mistério da vida.

  

 
 
Iku o Senhor da Ancestralidade

O Deus que possui a função de exercer o poder da morte chama-se Iku, trata-se de uma dinvidade masculina, não existe culto direto a Iku e por esta razão ele deve ser cultuado através dos mortos, masculinos ou femininos, por Orô ou Iyámi, por Egungum ou Elerikô. Afirma a tradição que Iku começou a matar depois que viu sua mãe ser espancada e morta na praça do mercado, sendo depois dominado por seus que conseguiram que ele comesse o que lhe era proibido. Quem ensinou como anular a atividade de Iku, foi sua mulher chamada Olójòngbòdú.  Nos conta assim, um fragmento do verso do Odù Òyèkú Méjì:     "....Quando Ìfá falou sobre Olójòngbòdú, a mulher de Ìkú que foi chamada logo cedo pela manhã, foi perguntado o que seu marido não poderia comer, que o tornasse incapaz de matar outros filhos das pessoas? ela disse que Ìkú, seu marido, não poderia comer ratos,pois se comesse, suas mãos tremeriam sem parar; Ela disse que Ìkú, seu marido, não poderia comer peixe, poi se comesse, seus pés tremeriam sem parar ; Ela disse que Ìkú, seu marido, não poderia comer ovo de pata, pois se comesse, ele vomitaria sem parar..."      Outro método de enfraquecer a atividade de Ìkú é registrado no oráculo de Ifá, através do modo como Èsù subornou o filho de Ìkú, para que este revelasse o modo como  Ìkú  matava, Omòikú     então revela que seu pai, matava através de sua clava, tornando-se fraco sem este instrumento, o qual Èsú com a ajuda do Ijàpàá, esconde. "... Ijàpàá gbé òrúkú l'owó ikú..."  ( o cágado retira a clava das mãos de Ìkú ). Posteriormente, Ìkú faz um pacto com Òrúnmilá, através da condição dele ajudá-lo a recobrar a sua clava; então, Ìkú só levaria antecipadamente aqueles que não se colocassem sobrê a proteção de Òrùnmilá. Outro texto do Odù Ìròsùnsè, nos conta como Orí e Òrùnmilá, impediram a atuação de Ìkú sobre a cabeça de alguém.
 

 
 
Sociedade Ogboni

No  início da criação do mundo, Iyámi Oxorongá ( Iemanjá ), a grande mãe ancestral deu à luz a 16 filhos. A sociedade secreta é derivada dos nomes Ogban(sábio) Oni(que é) dois filhos de Iyámi. A sociedade Ogboni de acordo com um itã Ifá (Irosun`wonrin) foi acionada quando a Terra estava um caos imenso, as pessoas não se respeitavam, principalmente a divindade Obatalá que perdeu o controle da situação na cidade de Ilê Ifé. Iyámi ao perceber que esta luta entre seus filhos mais velhos poderia causar a completa destruição, obrigou-os a fazer um pacto de irmandade, jurando sobre determinado amuleto sagrado que nunca mais lutariam entre si, desta forma então nasceu a primeira sociedade secreta do mundo que seria nomeada, conforme os nomes  dos irmãos, Sociedade Ogboni. A sociedade secreta Ogboni é temida e respeitada por todos que a conhecem, sendo a segunda corte judicial em terras Yorubá. Esta sociedade possui a finalidade de proteger a comunidade e manter o estabelecimento da ordem. A esta sociedade somente poderão ser filiadas aquelas pessoas que mantenham um comportamento ético, moral, e social exemplar, não importando seu nível intelectual, raça, procedencia ou sexo. Entre os participantes desta sociedade estão os membros ativos que realizam os ritos e cerimônias secretas como Babalaôs, Ojés, Alapinis etc. Desta sociedade também participam políticos, doutores, advogados, militares e anciãos da comunidade. Durante os séculos, muitas irmandades foram criadas seguindo os mesmos princípios da Sociedade Ogboni e obtiveram muito sucesso. Os Ogboni falam a língua Yorubá, mas internamente possuem um vocabulário secreto com o qual realizam determinados rituais. Os Ogboni são chamados de Omo-Oduduwá, Oduduwá é a Deusa criadora da Terra. Eles são chamados assim devido ao fato de seus rítuos terem a terra, como elemento principal de culto e força espiritual. A maioria dos instrumentos sagrados da sociedade Ogboni é confeccionada em bronze e cobre, que é u símbolo da força que não se deteriora ou se corrompe. Ideais estes da própria sociedade para seus membros. Na sociedade Ogboni a terra é venerada com o intuito de assegurar a sobrevivência, a paz, a felicidade, o respeito e a estabilidade social no mundo, assim como também a longevidade e o bem estar.
 
  

Culto a Divindade Orô

Orô é uma divindade masculina que representa a ancestralidade dos Homens, é um Deus similar à Iyámi, o Culto a Orô representa o culto indireto a Ikú, é um dos cultos aos mortos, Deus da Destruição é considerado como o portal para a ressurreição. Segundo um de seus mitos, toda alma ancestral masculina para que pudesse renascer na Terra deveria ir ao seu encontro, a alma teria de ser devorada pelo Deus. Orô é considerado como um Deus incontrolável, conta-se que quando Orô sai pelas ruas ninguém deve ficar em seu caminho ou será sacrificado. Orô possui uma voz extremamente grossa e cavernosa, seu grito ecoa como um trovão na floresta da morte, ele absorve a vida de tudo. A única divindade que trata com Orô é Xangô, pois foi o único a fazer os Ebós necessários para isso. Apenas homens podem prestar culto a Orô. Muitas sociedades alcançaram o título de “poderosas” na Religião Yorubá, mas nenhuma alcançou o prestígio da Sociedade Secreta Orô. Na antiguidade esta sociedade, semeava o terror dentro do poder, já que seus emissários ocultos, por baixo de máscaras impediam o abuso de sacerdotes, monarcas inclusive de anciões, que formavam o conselho central do reino. A missão desta sociedade, prevalecia em todas as exigências religiosas e era tão poderosa, que possuía o direito de vigiar se os governantes respeitavam os preceitos morais divinos. Eles são os defensores e reguladores da ordem tradicionalista, do cuidado com o conhecimento, do folclore, da história e dos mitos. Os membros desta sociedade, desempenhavam múltiplas funções sociais. Os membros da Sociedade Orô, se preocupavam, com o adequado "respeito ao culto dos ancestrais", mantendo-o vivo, por tanto, os membros desta sociedade se encarregavam de conseguir que os mortos fossem enterrados conforme determinados rituais apropriado e sua almas chegassem com segurança ao reino dos mortos, inclusive aquelas pessoa, que por infelicidade fossem mortas em acidentes ou tivessem mortes trágicas. Orô Aboluaje, é o título que se lhe dá e seu significado seria: “o que pode recolher da areia da vida o chefe dos feiticeiros”, é um espírito deificado dos homens. Orô recebe o nome de Ita e tem um companheiro com o qual lhe chama ao vento, seu nome é Irelê, com o qual caminha e se alimenta.  Ele é representado por um filete, cuja confecção é um segredo e vive encima dele. Orô é chamado de Deus do mistério. Segundo o Odu Ogbe-Osa, onde disse que vagava pelo bosque e fundou o estado de Kwara, a deidade do segredo do retiro e do encanto. Na antiguidade a Sociedade Orô, estava vinculada à Sociedade Ogboni(Osugbo), eram os executores dos criminosos; quando um criminoso era condenado pela Corte Ogboni, eram os membros do Culto de Orô, os que executavam a sentença. Quando Orô, saía à rua durante a noite, os que não pertenciam a esta sociedade deveriam ficar recolhidos em suas casa ou corriam o risco de morrer. Eles estabeleciam “o toque de recolher”. Durante o ano havia de sete à nove dias dedicados as festividades de Orô, especialmente em lua nova, onde as mulheres teriam que permanecer trancadas dentro de suas casas, com exceção as poucas horas, em que era permitido saírem para diversos fins. No sétimo dia nem sequer isto seria permitido, sob rigorosa pena de morte. Deveriam permanacer trancadas, sem importar qual era seu status social ou título de nobreza. Quem desobedecia as regras desta sociedade era executado. Orô é uma das forças sobrenaturais que atuam durante a noite. Esta divindade trás prosperidade, mas ao mesmo tempo a destruição.



Oró Aféfé Ikú! (Orô o vento da morte!)


A Sociedade Orô (Orùn ou Oró Lewé)

A Sociedade Orô é considerada entre os Iorubás a mais poderosa. Entre os Oyo e os Egba (cuja capital é Abeokuta) seu poder político supera as exigências religiosas. Orô possui o direito de vigiar se os governantes respeitam os preceitos morais divinos. Orô está basicamente a serviço dos espíritos dos mortos e por isso só aparecem de noite. Seu emblema é um pedaço plano de ferro ou madeira (sobre tudo de madeira de Óbó ou Kam, que as bruxas (Aje) não podem ver nem farejar, presa a um cabo com corda, o que a converte em uma madeira que zúmbi (emitindo um som todo particular ao ser manuseada). Cada Sociedade dispõe normalmente de dois tipos destes utensílios. Um é pequeno e se conhece com o nome de Ise (moléstia) e o tom estridente que produz, se conhece como Ajá Orô / Aaja Orò ( Cachorro de Orò / Vento de Orò = Orò Afefe Ikú! ). O outro provem dos madeiros grandes chamados Agbe (espada) e emite um tom surdo que é considerado como a mesma voz de Orô, este som anuncia que a morte está ameaçando alguém. Orò reproduz a voz dos mortos e por isso se diz que  os mortos os chamam. A adoração de Orô deve ser realizada de preferência sob a Lua Nova. Os adeptos da sociedade, costumavam levar máscaras de madeira, porém estas não chegam a cobrir todo o rosto.

Oriki Orô

“Óró mà nì kó.
Óró mà jà kó.
Óró Tóhùn tíré síté.
Óró Óhùn Ótòhùn nì ímà wà kírì.
Ásè!”

Tradução

“Orô causa confronto.
Orô não me cause confronto.
Orô tem a voz do poder.
Orô tem uma voz que ressoa por todo o Universo.
Que assim seja."
 
 
Ofo t'Orô
 
Werewere Orô yê o! Werewere Orô yê o!
Werewere Orô yê o! Werewere!
Orô yê o!
Werewere Orô yê o! Werewere!
Sesé kurú ru
Obà nen yê!
 
Tradução
 
Oh! Orô que vive com pressa, oh! Orô que vive com pressa
Oh! Orô que vive com pressa, impaciente!
Oh! Orô o eterno
Receba a oferenda, poder que surge da morte
Rei eterno.
 
  

Culto a Egungun

O Egun é a morte que volta a Terra em forma espiritual e visível aos olhos dos vivos. Ele nasce através de ritos que sua comunidade elabora e pelas mãos dos Ojés ( sacerdotes ) munidos de um instrumento invocatório, um bastão chamado ixan, que, quando tocado na terra por três vezes e acompanhado de palavras e gestos rituais, faz com que a morte se torne vida, e o Egungun ancestral individualizado está de novo vivo. O culto de Egungun é originário de Oyó e teoricamente foi criado por Xangô que foi o primeiro Ojé e se tornou o primeiro Alapini ( Sumo-sacerdote do culto de Egungun ). Apenas os homens podem prestar culto a Egungun. Xangô é o representante máximo dos mortos, Egungun.
A aparição dos Eguns é cercada de total mistério, diferente do culto aos Orixás, em que o transe acontece durante as cerimônias públicas, perante olhares profanos, fiéis e iniciados. O Egungun simplesmente surge no salão, causando impacto visual e usando a surpresa como rito. Apresenta-se com uma forma corporal humana totalmente recoberta por uma roupa de tiras multicoloridas, que caem da parte superior da cabeça formando uma grande massa de panos, da qual não se vê nenhum vestígio do que é ou de quem está sob a roupa. Fala com uma voz gutural inumana, rouca, ou às vezes aguda, metálica e estridente, característica de Egun, chamada de séégí ou sé, e que está relacionada com a voz do macaco marrom, chamado ijimerê na Nigéria.

http://ocandomble.files.wordpress.com/2008/07/9400_2_yoruba-egungun-costumes.jpg?w=250&h=446

A roupa do Egun, chamada de eku, ou o Egungun propriamente dito, é altamente sacra ou sacrossanta e, por dogma, nenhum humano pode tocá-la. Todos os mariwo usam o ixan para controlar a "morte", ali representada pelos Eguns. Eles e a assistência não devem tocar-se, pois, como é dito nas falas populares dessas comunidades, a pessoa que for tocada por Egun se tornará um assombrado", e o perigo a rondará. Ela então deverá passar por vários ritos de purificação para afastar os perigos de doença ou, talvez, a própria morte.
Ora, o Egun é a materialização da morte sob as tiras de pano, e o contato, ainda que um simples esbarrão nessas tiras, é prejudicial. E mesmo os mais qualificados sacerdotes, como os Ojé atokun, que invocam, guiam e zelam por um ou mais Eguns, desempenham todas essas atribuições substituindo as mãos pelo ixan.
Os Egun-Agbá (ancião), também chamados de Babá-Egun (pai), são Eguns que já tiveram os seus ritos completos e permitem, por isso, que suas roupas sejam mais completas e suas vozes sejam liberadas para que eles possam conversar com os vivos. Os Apaaraká são Eguns ,ainda mudos e suas roupas são as mais simples: não têm tiras e parecem um quadro de pano com duas telas, uma na frente e outra atrás. Esses Eguns ainda estão em processo de elaboração para alcançar o status de Babá; são traquinos e imprevisíveis, assustam e causam terror ao povo.
 
 
 
 
 
ISURE EGUNGUN
 
 
IBA EGUNGUN ILE

ILE MOPE O O,

AKISALE MO PE O O,

ETIGBURE MO PE O O,

ASA MO PE O O,

ETI WERE NI TI EKUTE ILE,

ASUNMAPARADA NI TIGI AJA

EMI OMO RE NI MO PE O,

JEKI NWA LAAYE,

MAA JEKI NKU,

MAA JEKI NRI IJA IGBONA,

MAA JEKI NRI IJA ÒGÚN,

JOWO WA JEMI LONI,

KI O FIRE FUN MI

ÀSE TI ELEDUNMARE

ELEDUNMARE ÀSE.
 


Egungun eu te saúdo.


Terra te chamo,

Akisale eu te chamo,

Etigbure eu te chamo,

Asa eu te chamo,

Rato de casa sempre alerta,

Asunmaparada (uma espécie de animal) nunca seu lugar,

Eu seu filho, esta chamando,

Deixa me viver,

Não me deixa morrer,

Me proteja da fúria de Ògún,

Ouça meu clamor

Para você me dar bondade.

Axé do Senhor Supremo.

Benção do Senhor Supremo.
 
Gbàdúrà ti Éégun

Ikú ayé, a kí ì bo òrun!

Mo júbà re Éégun mònrìwò.

Hei! Hei! Hei! Bàbá l’èsè awo ìfé.

Ikú l’onon, Ikú l’èhin,

Ikú ó, Ikú o!



Salve Ikú, Nós o saudamos e cultuamos no òrun!

Meus respeitos a ti Éégun ao ouvirmos o som de tua voz.

Hei! Hei! Hei! Pai que estás aos pés do culto do amor.

Ikú no caminho adiante, Ikú no caminho atrás,

Salve Ikú, Salve Ikú.


Gbàdúrà si Egúngún



Ìkú ònòn Ìkú lé èhin, Hei! Hei! Hei!

Bábá l’èsè awo ìfé

Pèlé-pèlé ó dára

A wò sílé, a dúpé,

Omo ni won dára

A wé Olúwa ìkú ó bàbá

A wúre, a wúre, Bàbá Olúkòtún.

A wúre, a wúre, Bàbá Alápáàlà.

A wúre, a wúre, Bàbá Igi.

A wúre, a wúre, Bàbá Igi-S’àwórò

A wúre, a wúre, Bàbá Alápoyò.

A wúre, a wúre, Bàbá Erin rin.

A wúre, a wúre, Bàbá Omo Orò ó mi tótóo.

A wúre, a wúre, Bàbá Isota isso.

A wúre ré èrin.

A wúre rìn rere.

Àse!


A Morte no caminho adiante, a Morte no caminho atrás, Hei! Hei! Hei!

Pai, estamos aos seus pés do culto de amor.

Gentilmente Eu vos saúdo, sois o bem.

Olhai para Nós e para nossa casa, agradecemos.

Façai com que vosso filhos estejam bem.

Envolvei-nos, Senhor da Morte e Pai.

Desejai-nos o bem, desejai-nos o bem, Pai, Senhor do Lado Direito.

Desejai-nos o bem, desejai-nos o bem, Pai, que tem o àlà ao seu lado.

Desejai-nos o bem, desejai-nos o bem, Pai, Senhor das árvores.

Desejai-nos o bem, desejai-nos o bem, Pai, Senhor das árvores a quem fazemos culto tradicional.

Desejai-nos o bem, desejai-nos o bem, Pai, Senhor que traz alegrias.

Desejai-nos o bem, desejai-nos o bem, Pai que caminha como o elefante.

Desejai-nos o bem, desejai-nos o bem, Pai, Filho de Orò, perdoai-nos Senhor.

Desejai-nos o bem, desejai-nos o bem, Pai, Pedra resistente que frutfica.

Desejai-nos o bem e façai-nos sorrir.

Desejai-nos o bem para que caminhemos no bem.

Assim seja!



Nkí Bàbá Olúkòtún

(Saudando o Senhor do Lado Direito)



K’òtún bájà dé o

K’òtún oba

K’ó sìn nkon se

Éégun ò pààràká

K’òtún nbo a’re

Gbà rú Olúsemòn

Olúkòtún Olóri Éégun

Éégun e ki to lésè Olórun

E Olúkòtún bàbá Éégun

N won nílé wa ní

N ará àiyé tàbí araalé

E Olúkòtún!



Saudamos o Senhor do Lado Direito, que chegou e lutou.

Saudamos o Rei do Lado Direito.

Saúdo aquele a quem servirei e farei as coisas.

Como um Éégun menos importante, que segue o mais importante.

Saudamos o Senhor do Lado Direito, cultuando-o estamos bem.

Faremos oferendas ao Senhor que tem a Sabedoria.

Senhor do Lado Direito, Cabeça (chefe) dos Egúngún.

Éégun, saudamos aquele que está aos pés de Deus.

Senhor do Lado Direito, Pai Éégun.

Que com os demais está em nossa casa,

Com os espíritos da Terra ou com os Ancestrais da Família.





Nkí Bábá Éégun

(Saudando Bàbá Éégun)



Éégun a yè, a kíì gb’òrun,

Mo júbà re Éégun mònrìwò

Í dé mi ó kí e Egúngún

Ìkú gbálé sálè

A si ìwà

Ìkú tu gon

Àse fún wa.



Salve Éégun, saudamos aqueles que vivem no céu.

Meus respeitos a ti Éégun ao ouvirmos o som de tua voz.

Chega-te a mim, aquele que te saúda Egúngún.

Que a Morte seja varrida para a terra.

Que vejamos a existência.

Que a Morte seja acalmada (aplacada) e cortada.

Que assim seja, para nós!



Gbàdúrà ti Éégun

(Reza de Éégun)



Ìkú són a lè

Níbi Bàbá Alápáàlà.

Ìkú don ohun bàbá

Ó kí s’àlà ojú wa

Ní ìfé agà to ní gbè

Osó Ìkú a fó a wé to

Ìkú á lè, ìkú á lè, Ìkú àjò!


Morte, fique amarrada na terra

Aqui, Pai que tem o àlà (o pano branco) ao seu lado

Contra feitiços, a Morte e outras coisas.

Pai, ponha o àlà e o olhar sobre nós.

Tenha amor e que estejamos aptos à proteção

Contra os feitiços da Morte, eleve-nos e envolva-nos bastante.

Morte na terra, Morte na terra, Morte viaje (vá embora)!



Gbàdúrà ti Egúngún

(Reza de Egúngún)



Bàbáláàse se yìn se Ìkú

Olúwà kòtún

K’òtún a sáà nun gó-n-gó

Ìkú a dé.



Pai detentor do axé, podeis quebrar (abrandar) a Morte.

Senhor da existência, saudamos o Lado Direito.

Saudamos o Lado Direito certamente ficaremos limpos.

Que a Morte nos seja branda. 


 

O criador de Culto a Egungun


Xangô é o fundador do culto aos Eguns, somente ele tem o poder de controlá-los, como diz um trecho de um Itã:

"Em um dia muito importante, em que os homens estavam prestando culto aos ancestrais, com Xangô a frente, as Iyámi Ajé fizeram roupas iguais as de Egungun, vestiram-na e tentaram assustar os homens que participavam do culto, todos correram mas Xangô não o fez, ficou e as enfrentou desafiando os supostos espíritos. As Iyámis ficaram furiosas com Xangô e juraram vingança, em um certo momento em que Xangô estava distraído atendendo seus súditos, sua filha brincava alegremente, subiu em um pé de Obi, e foi aí que as Iyámis Ajé atacaram, derrubaram a Adubaiyni filha de Xangô que ele mais adorava. Xangô ficou desesperado, não conseguia mais governar seu reino que até então era muito próspero, foi até Orunmilá, que lhe disse que Iyami é quem havia matado sua filha, Xangô quiz saber o que poderia fazer para ver sua filha só mais uma vez, e Orunmilá lhe disse para fazer oferendas ao Orixá Iku (Oniborun), o guardião da entrada do mundo dos mortos, assim Xangô fez, seguindo a risca os preceitos de Orunmilá.

Xangô conseguiu rever sua filha e pegou para sí o controle absoluto dos mistérios de Egungun (ancestrais), estando agora sob domínio dos homens este culto e as vestimentas dos Eguns, e se tornando estritamente proibida a participação de mulheres neste culto, caso essa regra seja desrespeitada provocará a ira de Olorun. Xangô , Iku e dos próprios Eguns, este foi o preço que as mulheres tiveram que pagar pela maldade de suas ancestrais." 

Obakelojé de Xangô 

  

Ancestralidade

Iami Oxorongá 

O culto Yoruba é passado de forma Oral, de geração em geração, pois acredita seus sacerdotes que a palavra verbalizada possui um “alto valor” no poder de transmitir o “Ashé”, força contida nos ensinamentos herdados de seus antepassados.

Mitologicamente as Ìyàmì são conhecidas como “ÈLÈYÈ” (mulher pássaro), aquelas que usaram mal seu poder mágico e por isso tiveram de entregar para Òrìsàálà o seu Igba-Nla (cabaça mágica recipiente que guarda o poder), para que ele fizesse um bom uso do poder da criação.

 

Esta lenda das Ìyàmì Òsòròngá resultou na coreografia ÈLÈYÈ.

Enquanto elas estão com energia positiva elas são chamadas e tratadas como ÌYÀMÌ (Grande Mãe), mas quando estão na forma negativa são aplacadas e chamadas ÀJÈ (Bruxas). A energia das Ìyàbá são energias tão complexas que chegam ter criticas na sociedade onde há culto à elas. O culto de Ìyàmì Òsòròngá é comum nas comunidades Yorubanas entre as mulheres idosas que depois passam para as mulheres mais jovens a fim de ter continuidade da Entidade. 

Ìyàmì é freqüentemente denominada Èlèyè (donas de pássaros). O pássaro sempre foi o emblema do poder da “feiticeira”; é recebendo-o que uma mulher se torna uma Ìyàmì-Àjè (Mãe que possui o poder sobrenatural). É simultanemente que um Espírito e o Pássaro (sobrenatural) vão fazer os trabalhos benéficos ou maléficos, isso depende da moral do praticante.  De forma que durante as expedições do pássaro, o corpo da “Feiticeira(o)” permanece imóvel em casa, ou seja, ela fica inerte (dormindo) na cama até o momento do retorno da Ave sobrenatural (poder). Para combater uma Aràjè, bastaria, ao que se diz; esfregar pasta de Pimenta... no corpo deitado e indefeso. Assim, quando o espírito voltasse não poderia mais ocupar o corpo maculado por seu interdito. Isso na mitologia.

Toda mulher iniciada com culto das Ìyàmì “possui uma cabaça que contém o pássaro chamado”, Owiwi ou Aragamago, considerados os Pássaros mais Sagrados. A força do Pássaro é o que conduz o Espírito de uma “Feiticeira” até seus destinos. Citemos um Ofo-Ìyàmì-Àjè

 

Aragamago é pássaro bonito e elegante,

pousa suavemente nos tetos das casas, e é silencioso.

“Mas, se a pessoa diz que é pra matar, eles matam,

se ela diz pra devorar os intestinos de alguém, “devoram".

O pássaro envia pesadelos, fraqueza nos corpos, doenças, dor de barriga,

levam embora os olhos (visão = Inteligência) e os pulmões das pessoas,

Produz dores de cabeça e febre, não deixa que as mulheres engravidem

e não deixa as grávidas darem à luz.


Durante o período de uma iniciação que  pessoa passa ao lado das Àjè, ela entende qual é o verdadeiro sentido de ser uma “perita neste assunto”, porque todo ensinamento é dado oralmente por meio de Cânticos e cada verso de saudade, opressão, liberdade, cada um simboliza uma história. As Ìyàmì têm participação ativa nos três mundos.

 

1º Do ÒRUN (todos os mitos relatam a vinda do Òrun, mundo espiritual) para o ÀIYÉ.

2º Mundo dos vivos, elas participam de tudo e fazem de tudo, elas se tranformam em qualquer coisa ou ser, se transformam se passando até por um Egungun ou Orisa. Normalmente que tem não sabe.

3º No Ori Inu, na MENTE de cada individuo, é por isso que facilitam o poder de atrair ou afastar o mal, até a morte. Mas é no ÀIYÉ que essa força tem acesso pleno ao mundo invisível e permanente, trazendo sua ação e resultados no presente, embora o Poder conrolador venha de fora.

Para existir um Poder que neutralize a força negativa, é preciso que alguém as manipule. Então, possessão pela força física não é possível, porque elas se transformam em pássaros, da mesma forma que ficam em cima de Árvores, essas forças também pousam sobre a cabeça do ser humano e podem se transformar em qualquer coisa, desde um Egun até em Orisa, se passando por tal durante toda uma vida, manipulando aquele que desconhece tal possibilidade. A relação dessas forças (Ajè) com os Pássaros é tão inerente, por isso, Elas não entram em conflito com os Iwins (Espíritos das árvores), de tal forma que o Pássaro é seu meio de comunicação em todos os sentidos.

As mulheres Sacerdotisas de Ìyàmì se reconhecem pelo olhar, pelo cheiro, como também se transformam para o encontro com as iguais.  Elas não mandam nos Pássaros porque Elas são os próprios Pássaros. Quando uma Pessoa adquiri ou recebe esta forma, ela passa a ter duas almas, dois corações: a primeira é a de ser humano com seus desejos e sentimentos normais, a segunda é a que permite sua transformação, porque sua aquisição altera a estrutura mental da pessoa. A pessoa passar a ser um(a) ATIBÈYÈ ,“Aquela que recebeu o Pássaro (poder)”, e com o pássaro ela irá conviver dentro dela.

Existem duas formas de se trabalhar com as Ìyàmì: a primeira é criar/gerar essa força, e para isso existem encantamentos e os próprios feitores desse Poder sabem disso; a segunda é usar essa força no cotidiano para a cura, prosperidade e para soluções de problemas até mesmo àqueles mais complicados. Para tanto é preciso conhecer sua própria natureza, os meios para se chegar até ela, e colocar em pratica sua ação.

As Ìyàmì não são comparadas nem cultuadas por intermédios de Òrìsà femininos, por exemplo, pois os poderes de Iyami são formas impessoais muito diferentes. Geralmente as mulheres que cultuam os Òrìsà femininos fazem isso com muito carinho, envolvidas emocionalmente exaurindo sua força. Mas pode-se dizer que as Ìyàmì são Orisa, e ao mesmo tempo não são Òrísà, somente seres, forças. Contudo de forma muito especial, Iyami é iniciada sim como Orisa na cabeça de mulheres, e chega a tomar sim a cabeça de sua iniciada, apenas há uma brusca diferença no processo iniciatico comparado com o processo iniciático para qualquer Orisa.

Por isso, tanto a iniciação como incorporação de Iyami, não é uma ocorrência muito comum, isso aqui no Brasil.

Os encantamentos das Ìyàmì, utilizados no Culto, fazem referencias às características e forças instintivas que existem nos animais, na natureza. Todo animal pertence ao Universo sobrenatural, e o ser humano não vive o mesmo mundo deles: sua lógica e sua realidade, tanto espiritual quanto física, são bem diferentes. Poderes sobrenaturais são formas de aproveitar tudo o que existe na Natureza. As Ìyàmì têm domínio e acesso a tudo isso, mas do que quaisquer outros seres.

Obakelojé de Xangô

  


 

IGUN

 


O igun (abutre) é o pássaro que só vive para se alimentar do Èbò.

Quando a oferenda é feita ao Pé de uma árvore (Igí), as Ìyàmì são chamadas de Onile-Origi e quando elas se alimentam do Èbò pegam o problema da pessoa para elas. 

Ao pedir para tirar a morte do caminho, não se trata apenas de morte física, mas sim evitar o fim de alguma coisa.

Uma pessoa que tenha esse poder, se não tiver conhecimento dele, pode estar sendo manipulada para o Bem ou para o Mau. As ÀJÈ têm seu próprio Universo, e quando são requeridas são as únicas forças que respondem de imediato. O que vem formar um conceito muito complexo. Quando a pessoa possui ou passa a adquirir essa força, ela tem de tomar muito cuidado para ser Feliz na Vida, seja com amigos, com família, profissão, filhos, amor, com sua própria vida em sua totalidade. Principalmente através das palavras. Ifá diz que a palavra é como um ovo atirado ao chão, que se quebra revela a sua riqueza, (poder de construção). Ou ainda, palavra é como um ovo que ao cair se quebra e jamais se reconstitui, (poder de destruição).

 

 

EYIN


Invocar o poder das Ajè não é como chamar uma pessoa ou entidade (Egungun ou Orisa), mas sim a força que elas representam. Sempre haverá defesa para um Mal que tenha sido feito contra quem a cultua. As seqüelas e conseqüência irão recair sobre quem primeiro deflagrou o processo “mau”.

Entre tantos cânticos, relatamos um mais abaixo em forma  de pedido dirigido às Ìyàmì-Àjè para afastar o mal e atrair as coisas boas.

 

Ajé mojuba o!

Oshô mojuba o!

 

Sara yéyé Oshoronga

Sara yéyé Oshoronga

Iyami Oshoronga Shagala ooo

Sara yéyé Oshoronga

 

Saúda-se uma vez para Àjè e em seguida para Osô. Osho é o nome que representa o poder Ajè dentro do Homem, igualmente é o nome que se dá ao Homem que possui tal Poder.


Odu Òsà Mejì

 

Existe uma relação intrínseca entre Òrúnmìlà-Ifá e Ìyàmì-Òsòròngá. No culto de Ifá existe o Odu Òsà-Mejì, que conta como o Odu das Iyami. É este o Odu que revela aos humanos os problemas turbulentos com as Ìyàmì e também mostra os caminhos para solucionar tais problemas. O mesmo Odu que fala de pessoa  que tem grande necessidade de Assentar ou Cultuar Ìyàmì Òsòròngá quando elas favorecem ou perturbam a pessoa, isso ocorre porque as vezes a pessoa tem a energia delas sem saber e, assim não podem controlar o positivo ou o negativo que elas irradiam, seja através da mente, atitudes ou palavras. As vezes este poder é tanto, que acaba fazendo mal a si mesma, normalmente autodestrutivo. 

 

Obakelojé de Xangô 

Culto a Iami


Iyámi é a forma aglutinada do culto da ancestralidade feminina. Esta imensa massa energética que representa o poder feminino é cultuada na Sociedade Geledé. Assim como Orô e Egungun que somente podem ser cultuados por homens, Iyámi somente pode ser cultuada por mulheres.
Iyámi é uma divindade muito misteriosa e perigosa. Desde os primórdios da criação, Iemanjá Odúa ( Iyámi Oxorongá ) mostra seu poder. No Brasil poucos possuem um conhecimento razoável sobre ela, na realidade poucos sabem que Iemanjá e Iyámi Oxorongá são faces da mesma Divindade.


De Olorun, a divindade primordial da qual se originaram grande parte das divindades, criou os Orixás Oxalá e Oduduá, sendo esses as duas primeiras cabaças da existência., Exú, seria a terceira cabaça da existência mas a matéria da qual Exú fora criado não era a mesma da qual foram criados Oxalá e Oduduá, Exú fora criado da mesma matéria que os seres humanos. Iemanjá Odúa também é uma das divindades primordiais, conta-se que Olorun ao dividir os poderes de criação entre Oxalá e Oduduá causou um certo descontentamento em Iemanjá que logo se queixou. Olorun, por sua vez, compreendeu que Iemanjá realmente estava certa ao se queixar e entregou a ela a Cabaça do Poder ( Ígbàjè ), recipiente que continha todo o poder mágico e sobrenatural, além de conter o pássaro Atioró que seria o pai da Orixá Nanã, Olorun também sentenciou: "Serás chamada por todos de Minha Mãe, pela eternidade" entregando a ela o Ori, Iemanjá passou a ser a Iyá Ori. Mas Iemanjá acabou por abusar do poder que lhe fora confiado e por esta razão Olorun a puniu dividindo o conhecimento e o poder que pertencia apenas a ela.
 
 


Continua...

Orin Iami

“Ápàkì íyéíyé Ósóróngà, ápàkì íyéíyé Ósóróngà
Íyà mó kì á mònmòn pá nì, íyà mó kì á mònmòn sóró
Bà ábà dé wàjù wànì, bónì.”

Tradução

“Possuidora de asas magníficas minha graciosa mãe Oxorongá,
possuidora de asas magníficas minha graciosa mãe Oxorongá
Eu a saúdo, não me mate minha mãe, eu saúdo minha mãe, não
me cause problemas
Se você vem próximo de nós, nos proteja.”




Culto de Elekô

Do culto de Elekô, muito se perdeu com o tempo e com a opressão dos homens diante do Culto à Mulher. Esse é o culto da ancestralidade feminina individualizada, a grande matriarca deste Culto é a Deusa Obá, esta sociedade é considerada como justiceira, era formada por amazonas que além de cultuar as mortas, puniam os homens que eram injustos com as mulheres, defendiam a soberania feminina. O que Xangô representa para Egungun, Obá representa para Elerikó em Elekô.

Continua...


Orixá Obá

Oriki Iyámi Egbê

“Mãe, proteja-me, eu irei ao rio, não permita Éméré seguir-me
em casa.
Mãe, proteja-me, eu irei ao rio, não permita que uma criança
amaldiçoada siga-me em casa.
Mãe, proteja-me, eu irei ao rio, não permita que uma criança
estúpida siga-me em casa.
Ólùgbón morreu e deixou filhos atrás dele. Árégá morreu e
deixou filhos atrás dele. Ólùkóyì morreu e deixou filhos atrás
dele.
Eu não poderia morrer sem deixar filhos atrás de mim. Eu não
poderia morrer de mãos vazias, sem descendentes.”