Culto aos Orixás

Kawo Kabiesile Oba Efun Oloju Inon Inon Bara Onule (Nao olhe o Rei, a face do Leao e de fogo, como o fogareiro da casa.)

Oxum

Oxum a poderosa Rainha Mãe, a mais perigosa das Deusas Africanas e uma das mais temidas. Poderosa Bruxa que encanta e enfeitiça a todos, é a senhora do mel  e da magia, da vaidade e da riqueza, da persuasão e da sedução é responsável por todo o processo de gestação. É a senhora das águas doces, senhora das águas que proporcionam  a vida. Possui estreita ligação com a Iami Oxorongá. Criadora do Candomblé, Oxum se destaca como a Rainha do Candomblé. É uma das Principais Esposas de Xangô, no Brasil Oxum é considerada a Deusa do ouro, mas na África antiga o metal que lhe pertencia era o cobre, pois na época era o metal mais valioso e por esta razão o ouro por ser extremamente valioso lhe é atribuido nos dias de hoje.
Oxum, a primogênita de Iemanjá, mostrou aos Éboras que a menstruação, em vez de constituir motivo de vergonha e de inferioridade às mulheres, é na realidade motivo de orgulho. A fecundidade e fertilidade feminina lhe pertence.
Oxum é uma das Deusas do Amor, dividindo essa regência com a Deusa Obá. Oxum rege o amor bonito e sincero, o sentimento mágico que perdura para sempre, mas também rege o superficial e interesseiro, enquanto Obá rege o amor descontrolado, a paixão devastadora de onde sempre sai um ferido e outro aniquilado, rege o amor cego e incondicional.
 

 
O orixá da beleza usa toda sua astúcia e charme extraordinário para conquistar os prazeres da vida e realizar proezas diversas. Amante da fortuna, do esplendor e do poder, Oxum não mede esforços para alcançar seus objetivos, ainda que para isso utilise artifícios e cometa atos extremos contra quem está em seu caminho. Poderosa guerreira não entra em uma batalha para perder. É a senhora da visão e é conhecedora dos segredos da advinhação e os segredos do Jogo de Búzios.

 

Orixá amante ataca as concorrentes, para que não roubem sua cena, pois ela deve ser a única capaz de centralizar as atenções. Na arte da sedução não pode haver e não existe ninguém superior a Oxum. No entanto ela se entrega por completo quando perdidamente apaixonada afinal o romantismo é outra marca sua. Da África tribal à sociedade urbana brasileira, a musa que dança nos terreiros de espelho em punho para refletir sua beleza estonteante é tão amada quanto à divina mãe que concede a valiosa fertilidade e se doa por seus filhos. Por todos seus atributos a belíssima Oxum não poderia ser menos admirada e amada, não por acaso a cor dela é o reluzente amarelo ouro. Sua responsabilidade em ser mãe se restringe às crianças e bebês. Começa antes, até, na própria fecundação, na gênese do novo ser, mas não no seu desenvolvimento como adulto.



Qualidades de Oxum

Oxum Ominibu - Longe de ser uma qualidade, é um título que ela carrega por reger também as águas frias e profundas.

Oxum Karê - É um título que quer dizer aquela que pode nos fazer felizes ou a que pode cuidar de nós.

Oxum Ipondá - Título que diz, mãe que é o vale de onde convergem as águas da criação

Oxum Abotô - Título que diz, aquela que nos dá cobertura, que nos cobre em todas as nossas necessidades.

Oxum Ijimum - Ijumum é apenas o nome de uma das cidades onde o cultu a Oxum é predominante.

Oxum Oxogbô - Também é o nome de uma das cidades onde o culto de Oxum é predominante.
 
  

 
 
“ODI ONA KU ITA Ò RUN”
(ela fecha o caminho da morte)
 
 
Aspectos Gerais

Dia: Sábado

Data: 8 de Dezembro
Metais: Cobre, latão e ouro
Cor: Amarelo- ouro
Símbolo: Leque com espelho (abebé)
Elemento: Água doce (rios, cachoeiras, nascentes, lagoas etc.)
Região da África: Ijesá, Ijebu e Osogbo
Pedra: Topázio
Folhas: Macaca, baronesa, vitória-régia, oripepê, ojú-oro, oxibatá, oriri, vassourinha-de-igreja
Odu que rege: Osé
 
 
 
A saudação de Oxum, "Ora Ieiê" pode ser traduzida como Graciosa mãe.
 
 

Oxum - Os filhos de Orixá Oxun, são pessoas graciosas, elegantes com paixão por joias e coisas caras. São carinhosos, interesseiros, dengosos, sensíveis, chantagistas e temperamentais, geralmente gostam de crianças. São pessoas de rara beleza. Considerados como símbolo de charme, beleza e sensualidade, sempre arrumam alguém para fazer as coisas por elas. Sob a aparência graciosa e sedutora escondem um forte desejo de ascensão social. Vaidosos ao extremo, pessoas com mão de feitiço, pessoas perigosas, vingativas, podem vir a ser cruéis, dissimulados e superficiais. Pessoas de gênio difícil.

 

Adurá de Oxum


Osun mo pè ó o!

N'ò pè o s'Ikù enì kankan

Bénì n'ò s'árùn enì kankan

Mo pè o nìnì owó

Mo pè o nìnì omó

Mo pè o sì nìnì alàfìa

Mo pè o sì oro

Kì awà mà rijà amì o

Odódùn nì a mì orógbó

Odódùn nì mì obì lorì atè o

Odódùn nì kì wòn mà rì wà o

Bi a sè, éyì jù bayì lò, nì àmódùn

Ósùn só wà, kì o màá sì wàbalà lárìn awà omó ré

Kì ilé mà jó wà

Kì óna mà nà wà o

Pèsè asè fùn wà o

Enì asè amódì arà

Fùn nì alàfìa o

Okó obà, adà obà, kì ó mà sà wà lésè o

Kì awà mà rì ógùn idìlé!


Tradução

 Oxun eu te chamo

 Não te chamo por causa da morte,

 Não te chamo por causa da doença de alguém.

 Eu te chamo para que tenhamos dinheiro.

 Eu te chamo para que tenhamos filhos.

 Eu te chamo para que tenhamos saúde.

 Eu te chamo para que tenhamos uma vida serena.

 Para que não sejamos vitimados pela ira das águas.

 Dizem que anualmente há orobôs na feira.

 Dizem que anualmente há obís novos na feira.

 Que as pessoas nos vejam todo o ano.

 Do mesmo modo que fizemos tua festa, que possamos fazer outra melhor, no próximo ano.

 Oxun, nos proteja, para que não haja problemas entre nós, teus filhos.

 Para que haja paz em nosso lar. 

 Que nossos objetivos não se voltem contra nós. 

 Dá-nos axé!

 À quem estiver doente,

 Dá saúde!

 Que as leis dos homens não sejam infringidas por nós.

Que não haja problemas em nossa família!

 

Orìkí fún Òsun

Ìba Òsun sekese
Ìba Òsun olodi
Latojoki awede we’mo
Ìba Òsun ibu kole
Yeye kari
Latokoko awede we’mo
Yeye opo
O san rere o
Àse





Orìkí para Òsun



Eu elogio a deusa do mistério, espírito que limpa de dentro para fora,
Eu elogio a deusa do rio
Espírito que limpa de dentro para fora
Eu elogio a deusa da sedução
Mãe do espelho
Espírito que limpa de dentro para fora
Mãe da abundância
Nós cantamos seus elogios
Axé



Orìkí fún Òsun



Obìnrin bí okùnrin ní Òsun
A jí sèrí bí ègà.
Yèyé olomi tútú.
Opàrà òjò bíri kalee.
Agbà obìnrin tí gbogbo ayé n'pe sìn.
Ó bá Sònpònná jé pétékí.
O bá alágbára ranyanga dìde.




Orìkí para Òsun


Òsun é uma mulher com força masculina.
Sua voz é afinada como o canto do ega.
Graciosa mãe, senhora das águas frescas.
Opàrà, que ao dançar rodopia como o vento, sem que possamos vê-la.
Senhora plena de sabedoria, que todos veneramos juntos.
Que como pétékí com Xapanã.
Que enfrenta pessoas poderosas e com sabedoria as acalma.

 

ISURE ÒRÌSÀ ÒSUN



IBA ÒSUN

ORE YEYE O

ÒSUN IWO WE OMO YE,

OMI, ARIN-MA-SUN,

YEYE WEMO YE GBOMO FUN MI JO,

AYILA, GBA MI O, ENI

A NI NII GBA NI,

MO PE O SOWO, MO PE O SOMO,

MO PE O SI AIKU, EMI, FE IYE, ATI ORO,

ENITI NWA OMO KO FUN LOMO,

OMO DARADARA NI KI O FUN WON,

ÒSUN, TO MI SI ONA ORO ATI ALAFIA,

ÀSE TI ELEDUNMARE

ELEDUNMARE ÀSE



Òsun eu te saúdo



Òsun, você é cheio de idéias,

Pessoa que nada consegue destruir,

Pessoa que faz as coisas sem que seja questionada,

Você que não cansa de usar bronze ornamentais,

Mulher forte que nunca seja atacada,

Pessoa que sentou em cima da cesta na profundeza do rio,

Ore yeye (mãe graciosa)

Ore yeye imole (mão graciosa òrìsà),

Você que acalma as crianças com o seu bronze ornamental,

Você que tem trono calmo,

Mãe graciosa, a rainha do rio,

Mãe graciosa,

Òsun me proteja e meu filho com o banho,

Você que dá vidas às crianças, me dê filhos para mim cuidar,

Ayila (Òsun) me proteja, eu espero salvação de você,

Eu te chamo para Ter dinheiro e filho,

Eu te chamo para não morrer, mas para Ter a vida e prosperidade.

Dá filhos para quem precisa Ter,

Dá eles filhos saudáveis,

Òsun, me caminhe para o caminho da prosperidade e a paz.

Axé do Senhor Supremo.

Benção do Senhor Supremo

 

Ofó de Oxum

 

Oxum o ieiê ni imó

Amo awô ma rô

Ieiê onikí Obaladô

 

Tradução

 

Oxum a graciosa, repleta de sabedoria

Aquela que não revela seus segredos

Graciosa mãe

A graciosa senhora do culto, rainha do rio.

   

Opará

Opará, também chamada de Apará, assim como todas as Iyagbás, também é uma divindade das águas, é confundida como uma qualidade de Oxum devido a similaridade dos cultos, mas na realidade se trata de uma divindade a parte. Opará nasce da união de Xangô com Obá, é uma divindade muito perigosa.
A maternidade que é umas das marcas de Oxum não existe em Opará.
Era Oxum quem se encarregava de cuidar da prole do Deus das Tempestades, enquanto  ele guerreava. o caso de Opará ocorreu o mesmo, ela foi criada por Oxum, já que Obá, assim como Oyá Iansã, acompanhava Xangô em suas contendas. Opará herda o temperamento e a agressividade natural de Obá e a malícia e a vaidade de Oxum. Tornando-se assim a mais quente e agressiva de todas as Iyagbás superando até  mesmo a própria mãe, Opará é a divindade feminina equivalente a Exú. É uma Deusa da Guerra, indomável, uma poderosa amazona que une força e vaidade, rege os ventos da noite, a umidade do ar e as águas puras que se intercalam entre abundância e escassez absoluta, seu fundamento maior é quando o Raio(Xangô) toca as Águas(Obá). Opará é impiedosa, arrogante e de carácter punitivo, mas apesar das desavenças entre Oxum e Obá, é muito próxima de Obá bem como de Oxum, de quem recebeu o Espelho de Ikú( uma espécie de espelho encantado que traz a morte para que o olhar). Asim como os pais Opará possui forte ligação com a morte  e, assim como Oxum, possui ligação com as Eleyés.

 

Obá e Opará - Mãe e Filha

Opará - Xangô e Obá




A união de Xangô e Obá
Transcorre um culto nos arredores da cidade, é eleko. Uma sociedade restrita, onde apenas mulheres realizam o culto. Que possue como matriarca a temida Obá, a fundadora desta sociedade que cultua a ancestralidade feminina individual.
Nem um homem poderia sequer assistir o ritual do segredo, sendo punido por Obá com sua própria vida.
Certo dia, em uma das noites de culto, Xangô caminhava alegremente e dançava ao som do batá. Quando percebe, ao longe um aglomerado de mulheres, realizando uma cerimônia sob as ordens da enérgica Obá.
Xangô era muito curioso e não se conteve aproximando-se da cena, ficando a espreita.
Xangô encantou-se com a rara beleza de Obá, que apesar de não ser tão jovem era a mais bela mulher que ele já vira. No momento de distração, Xangô foi percebido e cercado pelas mulheres, foi levado a presença da grande deusa, que lhe falou o preço que haveria de pagar por sua audácia em violar o culto sagrado de Elekó. Mas a própria Obá que encantou-se com a inigualável beleza de Xangõ apaixonando-se de imediato, relutou em aplicar a sentença de morte e usou de sua supremacia no culto para ditar nova regras, dando nova chance a Xangô:
"Todo homem, que violar o culto, se for do agrado, da senhora do culto, deverá unir-se a ela como marido ou aceitar a pena de morte"
Xangô não pensou duas vezes, seria poupado da sentença e ainda sim possuiria a grande deusa por quem havia se apaixonado. A cerimônia de união de Xangô e Obá foi realizada dentro dos limites de Elekó. Foi o inicio de uma grande paixão, nunca se viu tanto amor.
A deusa guerreira e justiceira que pune os homens que maltratam as mulheres, descobriu um sentimento novo por um homem além do ódio. Descobriu todo o amor que um homem pode dar. A grande rainha de Elekó, a rainha de Xangô aprendeu a amar e ser amada.
Nasce, dessa grande paixão, uma criança, uma menina, nasce Opará, nasce a mais bela, justiceira e feroz guerreira. Herdou o melhor do pai e da mãe e prosseguiu com o culto.
  

  

Logun Edé

Ao contrário do muitos pensam, Logun edé não possui características masculina e feminina nem é homossexual ou bissexual. Na verdade possui uma grande relação com Oxum, sua mãe, e com Erinlé, seu pai, trazendo com sigo  as características desses dois Orixás e algumas características marcantes, mas nada que o transforme em um hermafrodita que durante seis meses é Aboró e seis meses Iyagbá como algumas pessoas dizem e usam esse artifício para o homossexualismo.

Existem templos para Logun Edé em Ilexá, seu lugar de origem, onde em alguns itans é citado como um corajoso e poderoso caçador, que tamanha coragem é relacionada ao leopardo. De culto diferenciado e totalmente ligado ao culto de Oxum, é um Orixá de extremo bom gosto. Seus objetos devem permanecer junto aos de Oxum e sempre que for agradado ela também deve ser agradada. Tem predileção pelo dourado, é um Orixá vaidoso e é considerado o mais elegante de todos os Orixás.

Cultuado em território Ilexá, mais especificamente na região de Ijexá, Iwô, Oxogbô e em Edé na Nigéria, Edé é a cidade da qual ele herda o nome. Logun é considerado o Príncipe de todos os Orixás, o mais feroz de todos os guerreiros, o mais audaz de todos os caçadores e o mais belo dos belos.

Conhecido em Cuba como Laro ou Larooyê, seu culto em Cuba se perdeu mas no Brasil seu culto é amplamente difundido.

Qualquer oferenda realizada a Logun deve conter instrumentos que façam referência a beleza e a sorte. Logun é filho de Oxun e de Erinlé, de Erinlé herdou o caráter selvagem, a arte da caça, o poder sobre a medicina, a paciência do pescador e a astúcia do caçador, assim como de sua Mãe Oxun, Logun, herdou a beleza, o poder de sedução, o encanto, a doçura, o poder da feitiçaria e a riqueza.

Logun Edé tem estas características, é um Orixá guerreiro, mas a sua característica guerreira é própria, mas não o de guerra no sentido físico da palavra e sim a da luta pela conservação da criação.

Conta um antigo itan que todos os Òrìsà estavam reunidos em uma aldeia, e de repente passa a chover muito e a terra começa a afundar causando grande pânico. Todos tentam fazê-la subir novamente mas , ninguém consegue, por último aquele jovem caçador é chamado e usando um poder que herdou da mãe Òsun, logun-odé entoa o Oriki:
"AWO NBE O, AWO NBE O....ARA NBE O, ARA NBE O"
Eis o iniciado, o forte, eis o misterioso, aqui se fez o milagre
 
 



Tocando o chão com sua flecha, e a terra começa a subir novamente até voltar a sua posição normal, a partir de então, ele passou a ser reconhecido como um grande guerreiro osiwaju Líder entre os Orixás. 

Em Cuba, sempre era citado mas sem mencionar seu verdadeiro nome: O filho perdido de Oxun, muitos afirmam que ele é a contrapartida masculina de Oxun, dizem que Logun e Oxun são personificações da mesma divindade, a masculina e a feminina. Essa comparação é muito comum em Cuba, não só com Oxun e Logum mas com todos os demais Orixás como Olokun e Yemanjá, Obatalá e Oduduá, Obaluaiê e Nanã, Oxóssi e Otin, Oxumarê e Euá, Xangê e Obá, Ogun e Iansã, Exú e Opará, Ossãe e Ajaa, Erinlé e Abatã, Iroko e Apaoka, Oko e Onilé etc.

Este Orixá é chamado em alguns orikis como Omo Aladê ( Príncipe coroado) e Oba l'oguê ( o que se veste bem) dentre seus títulos é chamado de Loci loci, Ibain, Aro aro, estes títulos são mencionados em suas cantigas como complementos de seu nome.

Logun-Edé, chamado geralmente apenas de Logun, é o ponto de encontro entre os rios e as florestas, as barrancas, beiras de rios, e também o vapor fino sobre as lagoas, que se espalha nos dias quentes pelas florestas. Logun representa o encontro de natureza distintas sem que ambas percam suas características. É filho de Oxossi com Oxum, dos quais herdou as características. Assim, tornou-se o amado, doce e respeitado príncipe das matas e dos rios, e tudo que alimenta os homens, como as plantas, peixes e outros animais, sendo considerado então o dono da riqueza e da beleza masculina. Tem a astúcia dos caçadores e a paciência dos pescadores como principais virtudes.

Seu emblema ou ossun são cinco flechas em um mesmo arco que apontam para cima e oito folhas de variadas, suas cores são o azul turquesa de Erinlé e o amarelo ouro de Oxun.

Logun Edé é considerado um Orixá infantil e por sua vez controla o elo central em qualquer união ou fórmula neutra ou resultante é o equilíbrio da natureza, a energia do pêndulo, o equilíbrio do peso e  da força, ação e reação, a oscilação de energia entre as duas polaridades através do controle, a dimensão entre a vida e a morte, entre Orun e Aiê o fator híbrido, é o dono da harmonia, equilíbrio dinâmico, é o Orixá de tudo o que é perfeito e bonito. Logun somente come após Oxun.

Diz o mito que Logun tinha tudo, menos o amor das mulheres, pois mesmo Iansã, quando roubada de Ogum por Xangô, abandona Logun com seu tio, criando assim um profundo antagonismo entre Xangô e Logun, já que por duas vezes Xangô lhe tira a mãe.

Em outro episódio Logun vai brincar nas águas revoltas (a deusa Obá, também esposa de Xangô) e esta tenta mata-lo como vingança contra Oxum que lhe fizera uma enorme falsidade. Oxum, vendo em seu jogo de búzios o que estava sucedendo com seu filho abandonado, pede a Orunmilá que o salve e este, que sempre atendia às preces da filha de Oxalá, faz uma oferenda a Obá que permite então que os pescadores salvem Logun-Edé, encarregando-o de proteger, a partir daquele dia,os pescadores, as navegações pelos rios e todos os que vivessem à beira das águas doces.
 

Qualidades ou títulos de Logun Edè

Apanã - Pode ser traduzido como Aquele que mata no caminho.

Lokô - Pode ser traduzido como Senhor da colheita.

Ibain - É de um outro caçador homenageado e cultuado como Logun, esse caçador inclusive é o verdadeiro proprietário dos chifres tão importantes no culto.

 

Aspectos Gerais

DIA: Quinta-feira

DATA: 19 de abril
METAIS: Ouro e bronze
CORES: Azul-turquesa e Amarelo-ouro
COMIDAS: Axoxó e Omolocum
SÍMBOLOS: Balança, ofá, abebè e cavalo-marinho
ELEMENTOS: Terra (floresta) e água (de rios e cachoeiras)
REGIÃO DA ÁFRICA: Ilesá
PEDRAS: Topázio e Turquesa
FOLHAS: Oripepê e todas as folhas de Oxóssi e Oxum
ODU QUE REGE: Obará

 

Arquétipo - Logun Edé - Os filhos de Logun Edé, são vaidosos e graciosos como Oxum gostam de coisas caras, são preguiçosos, considerados o berço da preguiça, joviais e alegres. Por vezes falantes e comunicativos como Oxum e em outros momentos reservados como Erinlé, gostam de mandar, geralmente trazem a rara beleza de Oxum, espertos, apegados a família gostam do conforto do lar e por mais idade que tenham sempre conservam o jeito moleque de ser, geralmente são mimados e dengosos, gostam de tudo na mão.

 

 

 

Orin de Logun Edé
 

 

O igbó ó Logun ó a odè kì igbó nì ó bì igì

Igbó ewé ofà ré nì igbó Logun odè, Logun odè, Logun odé

Ofà ré nì igbó Logun odè.

 

Tradução

 

Oh! floresta, oh! Logun o nosso caçador que está na floresta ele derruba folhas

na floresta com seu arco e flecha, ele está na floresta, o guerreiro caçador seu arco e flecha

estão na floresta, guerreiro caçador.

 

Oríkì fún Lògún Ede


Ganagana bi ninu elomi ninu
A se okùn soro èsinsin
Tima li ehin yeye re
Okansoso gudugu
Oda di ohùn
O ko ele pé li aiya
Ala aiya rere fi owó kan
Ajoji de órun idi agban
Ajongolo Okunrin
Apari o kilo òkò tímotímo
O ri gbá té sùn li egan
O tó bi won ti ji re re
A ri gbamu ojiji
Okansoso Orunmila a wa kan mà dahun
O je oruko bi Soponna
Soro pe on Soponna e nià hun
Odulugbese gun ogi órun
Odolugbese arin here here
Olori buruku o fi ori já igi odiolodi
O fi igbegbe lù igi Ijebu
O fi igbegbe lú gbegbe meje
Orogun olu gbegbe o fun oya li o
Odelesirin ni ki o wá on sila kerepa
Agbopa sùn kakaka
Oda bi odundun
Jojo bi agbo
Elewa ejela
O gbewo li ogun o da ara nu bi ole
O gbewo li ogun o kan omo aje niku
A li bilibi ilebe
O ti igi soro soro o fibu oju adiju
Koro bi eni ló o gba ehin oko mà se ole
O já ile onile bó ti re lehin
A li oju tiri tiri
O rí saka aje o dì lebe
O je owú baludi
O kó koriko lehin
O kó araman lehin
O se hupa hupa li ode olode lo
Òjo pá gbodogi ró woro woro
O pà oruru si ile odikeji
O kó ara si ile ibi ati nyimusi
Ole yo li ero
O dara de eyin oju
Okunrin sembeluju
Ogbe gururu si obè olori
A mò ona oko ko n ló
A mo ona runsun rdenreden
O duro ti olobi kò rà je
Rere gbe adie ti on ti iye
O bá enia jà o rerin sún
O se adibo o rin ngoro yo
Ogola okun kò ka olugege li òrùn
Olugege jeun si okurú ofun
O já gebe si orún eni li oni
O dahun agan li ohun kankan
O kun nukuwa ninu rere
Ale rese owuro rese / Ere meji be rese
Koro bi eni lo
Arieri ewo ala
Ala opa fari
Oko Ahotomi
Oko Fegbejoloro
Oko Onikunoro
Oko Adapatila
Soso li owuro o ji gini mu òrún
Rederede fe o ja kùnle ki agbo
Oko Ameri èru jeje oko Ameri
Ekùn o bi awo fini
Ogbon iyanu li ara eni iya ti n je
O wi be se be
Sakoto abi ara fini




Oríkì para Lògún Ede


Um orgulhoso fica infeliz que um outro esteja contente
É difícil fazer um corda com as folhas espinhosas da urtiga
Montado de cavalinho sobre as costas de sua mãe
Ele é sozinho, ele é muito bonito
Até a voz dele é agradável
Não se coloca as mãos sobre o seu peito
Ele tem um peito que atrai as mãos das pessoas
O estrangeiro vai dormir sobre o coqueiro
Homem esbelto
O careca presta atenção à pedra atirada certeiramente
Ele acha duzentas esteiras para dormir na floresta
Acordá-lo bem é o suficiente
Nós somente o vemos e o abraçamos como se ele fosse uma sombra
Somente em Orunmila nós tocamos, mas ele não responde
Ele tem um nome como Soponna /
É difícil alguém mau chamar-se Soponna
Devedor que faz pouco caso
Devedor que anda rebolando displiscentemente
Ele é um louco que quebra a cerca com a cabeça
Ele bate com seu papo numa árvore Ijebu
Ele quebrou sete papos com o seu papo
A segunda mulher diz ao papo para usar um pente (para desinchar o papo)
Um louco que diz que o procurem lá fora na encruzilhada
Aquele que tem orquite ( inflamação dos testículos) e dorme profundamente
Ele é fresco como a folha de odundun
Altivo como o carneiro
Pessoa amável anteontem
Ele carrega um talismã que ele espalha sobre o seu corpo como um preguiçoso
Ele carrega um talismã e briga com o filho do feiticeiro dando socos
Ele veste boas roupas
Com um pedaço de madeira muito pontudo ele fere o olho de um outro
Rápido como aquele que passa atrás de um campo sem agir como um ladrão
Ele destroi a casa de um outro e com o material cobre a sua
Ele tem olhos muito aguçados
Ele acha uma pena de coruja e a prende em sua roupa
Ele é ciumento e anda "rebolando" displicentemente
Ele recolhe as ervas atrás
Ele recolhe as ervas atrás
Ele anda "rebolando" desengonçado para ir ao pátio interior de um outro
A chuva bate na folha de cobrir telhados e faz ruído
Ele mata o malfeitor na casa de um outro
Ele recolhe o corpo na casa e empina o nariz
O preguiçoso está satisfeito entre os passantes
Ele é belo até nos olhos
Homem muito belo
Ele coloca um grande pedaço de carne no molho do chefe
Ele conhece o caminho do campo e não vai lá
Ele conhece o caminho runsun redenreden
Ele está ao lado do dono dos obi e não os compra para comer
O gavião pega o frango com as penas
Ele briga com qualquer um e ri estranhamente
Ele tem o hábito de andar como a um bêbado que bebeu
Sessenta contas não podem rodear o pescoço de um papudo
O papudo come no inchaço de sua garganta
Ele quebra o papo do pescoço daquele que o possui
Ele dá rapidamente crianças às mulheres estéreis
Ele guarda seus talismãs numa pequena cabaça
A noite coisa sagrada, de manhã coisa sagrada /
Duas vezes assim coisa sagrada
Rápido como alguém que parte
A proibição do pássaro branco é o pano branco
Ele mexe os braços fantasiosamente
Marido de Ahotomi
Marido de Fegbejoloro
Marido de Onikunoro
Marido de Adapatila
Bem desperto, ele acorda de manhã já com o arco e flecha no pescoço
Como um louco ele se debate para colocar os joelhos no chão, como o carneiro
Marido de Ameri que dá mêdo
Leopardo de pele bonita
Ele expulsa a infelicidade do corpo de alguém que tem infelicidade
Assim ele diz e assim ele faz
Orgulhoso que possui um corpo muito belo

  


Ibeji


São os Orixás protetores dos gêmeos, na mitologia Yorubá. O nome deles é Taiwo e Kheinde, são filhos de Xangô com Oyá e foram criados por Oxum. Os Yorubás acreditam que era Kheinde quem mandava Taiwo supervisionar o mundo, onde a hipótese de ser aquele o irmão mais velho cada gêmeo é representado por uma imagem, os Yorubás colocam oferendas diante de suas imagens para invocar a benevolência dos Ibeji. Os pais de gêmeos costumam fazer sacrifícios a cada oito dias em honra a Ibeji.O animal tradicionalmente associado a Ibeji é o macaco kolobo polykomos ou kolobo real, que é acompanhado por uma grande lenda mística entre os africanos. Eles possuem coloração preta, com detalhes brancos, pelas manhãs eles ficam acordados em silêncio na copa das árvores, como se estivessem em oração ou contemplação, dai eles serem considerados por vários povos como o mensageiro dos Deuses ou tendo a habilidade de escutar os Deuses.

Ibeji, o único Orixá permanentemente duplo, aproxima-se de Exu pelo  seu comportamento arquetípico independente. É formado por duas entidades distintas e sua função básica é indicar a contradição, os opostos que coexistem. Num plano mais terreno, por ser criança. A ele é associado a tudo o que se inicia: a nascente de um rio, o germinar das plantas, o nascimento de um ser humano.
Mostram um temperamento infantil, brincalhão, sorridentes, irrequietas, de muita energia nervosa.  São muito cativantes e carinhosos, com uma sensibilidade sempre à flor da pele; por isso mesmo, magoam-se com facilidade, exageram as contrariedades e agressões que recebem e se deixam levar por mal-entendidos.

 

"Ajubá Ibeji orô, Xangô d'Ibeji, Oxum d'Ibeji, Oiá n'Ibeji, gbogbô ouô fum uá oxá Ibeji, Ibeji orô!"

 

"Nossos respeitos a Ibeji, Deuses tão importantes quanto Xangô e Oxum, Ibeji filhos de Oiá, Deuses que trazem a riqueza para todos, Deuses Gêmeos!"  

 

Como a maior parte das crianças, gosta de estar em meio a muita gente. As pessoas freqüentemente temem Ibeji: poderoso como todo o Orixá, a criança-divindade, entretanto, entende os pedidos de maneira simplista, o que pode levar a conseqüências não previstas pelas entidades em geral. Por outro lado, têm a reputação de ser extremamente fiéis às pessoas que conquistam sua confiança.

   

 

 Ibeji

 

O preto e o branco
A areia e o mar
O sol e a lua
O inverno e o verão
O outono e a primavera
Terra e fogo
Água e ar
O liquido e o sólido
O visível e o invisível
O concreto e o abstrato
A tristeza e a felicidade
A saúde e a doença
O alto e o baixo
A vida e a morte
O dia e a noite
Razão e emoção
O liso e o estampado
O quente e o frio
O velho e o novo
O céu e o inferno
1 minuto e a eternidade
O prazer e dor
O real e a ilusão
O norte e o sul
O leste e o oeste
O progresso e a o retrocesso
O homem e a mulher
O amor e o ódio

Tão opostos, tão perfeitos
Estão sempre lado a lado
Em perfeita sintonia
Juntos, estão em todas as coisas
E em todos os lugares
Embora não sejam sempre concretos
Podem ser vistos na pratica a cada momento
Representados pelo Ying-Yang...
Opostos, juntos, um no outro
Em perfeita harmonia.


Qualquer participação de Ibeji em cerimônias, dá um toque alegre e inconseqüente à ela, sendo freqüente que as comidas ritualísticas a eles oferecidas recebam enfeites como fitas de cetim em cores vivas. A Ibeji se oferece todas as cores vivas e as roupas de seus filhos, em cerimônia, são multicoloridas. São homenageados aos domingos, recebendo como comidas rituais, doces, bolinhos, balas, e refrigerantes.

 

 

Ádurà Ibejì

 

Igbà Órìsà

(Orixá eu te saúdo)

Órìsà Ibéjì

(Orixá Ibeji)

Dakùn dabó, ma jékì a rì Ikù Omodé,

(Não permita que haja a morte de crianças)

Ma jékì a rì Ikù agbà,

(Não permita que haja a morte de adultos)

Enitì ó bì, máà jékì ó sokùn,

(Quem tem para não chorar)

Máà jékì a kù Ikù airotélé,

(Não deixe acontecer a morte imprevista)

Fun mi lowó latì sé nkan gbógbó,

(Me dê dinheiro para minhas necessidades)

Iwó ti só alakisà di alasó, jowó só akisà mi di asó,

(Você que torna o pobre rico, me torne rico)

Iwó to ti essè mejé ji bé silé alakisà, jowó bé silé mi,

(Você que entrou na casa do pobre, peço entre na minha)

Órìsà Ibejì, pelé ó,

(Orixá Ibeji eu te saúdo)

Ejiré àra isokùn,

(Ejirê de Issokun)

Jowó só mi di oloró.

(Peço, me torne próspero).

 

Orìkí fún Ibeji

B'eji B'eji're
B'eji B'eji'la
B'eji B'ejiwo
Igbá omo ire
Axé


Orìkí para Ibeji


Dar a luz aos gêmeos traz fortuna boa
Dar a luz aos gêmeos traz abundância
Dar a luz aos gêmeos traz dinheiro
Saudar as crianças das coisas boas
Axé